21 de outubro de 2012

Dangerously Colse – You Are Mine – Capitulo 8


Respirei fundo antes de voltar para dentro do galpão procurando a chave do carro de Ryan. Tudo que estava fazendo com Justin vinha em minha mente, e eu me amaldiçoava pela ideia de conseguir ser feliz ao seu lado. Além do fato de ser sua filha, tinha todos nossos amigos e família que com certeza iriam ficar contra nos, falando como isso era errado e culpando Justin pelo que fazíamos.
Suspirei e peguei a chave de cima da mesa de canto, saindo do galpão e indo até o carro. Assim que abri a porta, consegui avistar digamos que uma fortaleza ali.
Bancos pretos estofados de couro com detalhes amarelos, varias caixas de som na parte de trás enquanto nos bancos traseiros haviam uma sacola cheia de doce.
Certo, Ryan deveria ter comprado tudo aquilo, mas não me importei em abrir. Entrei no carro ligando o rádio e senti meu ouvido arder devido ao volume auto da musica.
–Puta que pariu! – Murmurei abaixando rapidamente e respirei aliviada.
Liguei o carro e fui até em casa sem pressa alguma, sabendo que não haveria ninguém lá, a não ser a vadia da Marie e a Aparecida.
Fui cantarolando a musica que tocava no rádio, arrancando olhares de algumas pessoas sempre que parava no sinal. Depois de meia hora, finalmente cheguei em casa e deixei o carro na frente da porta. O carro não era meu, então não tinha porque levar ele até a garagem.
Entrando na sala, encontrei Marie sentada no sofá assistindo TV enquanto comia um pipoca. Tentei passar reto por ela sem trocar uma palavra, mas parece que não deu certo.
–Cadê seu pai? – Perguntou sem tirar os olhos da TV.
–Foi ver um carregamento, porque?
–Pensei que vocês voltariam juntos e iriam direto pra cama.
Dei de ombros e comecei a subir as escadas.
–Relaxa Marie, sei que isso tudo é raiva por ter perdido seu emprego de vadia. – Falei sem a olhar e pude ouvir Marie resmungando alguns palavrões.
Ri abafado e fui até o meu quarto distraída. Tirei minha camisa e a joguei na cama indo em direção ao banheiro mas senti meu corpo ser jogado contra a parede me fazendo gritar devido ao susto.
–QUEM É VOCÊ?– Perguntei gritando para o garoto todo de preto em minha frente.
O garoto começou a rir enquanto eu ainda o olhava assustada.
–Cara… – Tentou falar mais voltou a rir novamente.
–OLHA, SE FOR ALGO QUE O JUSTIN FEZ..
–Não, não! Relaxa! – Me interrompeu. – Eu to trabalhando pra ele.
–O QUE?- O garoto mordeu o lábio inferior e apontou para meu corpo.
Segui seu olhar e só agora me lembrei que estava apenas de sutiã e calça em sua frente. Arregalei os olhos e corri até a cama pegando a camiseta que havia deixa em cima da mesma, e a coloquei rapidamente.
–Tá, agora me explica que porra é essa, e o que você está fazendo no meu quarto?
–Assim, eu preferia você sem camisa.. – O encarei seria e ele riu. – To zuando!
Bufei e cruzei os braços.
–Seu pai me contratou para ser seu segurança particular.
–O QUE? MAS.. TIPO… FILHO DA PUTA!– Gritei saindo do quarto. - JUSTIN!
–ELE NÃO CHEGOU AINDA!– Marie gritou da sala.
Grunhi de raiva e volta para o quarto.
–Ok, qual é seu nome? – Perguntei rápido.
O garoto bufou se sentando na minha cama despreocupado.
–Me chamo Steven Tyler tenho 20 anos.. Quer saber meu tipo sanguíneo também? – Revirei os olhos.
–Porque o Justin te contratou?
Steven ergueu os ombros e sorriu de lado.
–Agora pode tirar sua camisa novamente!
–Vai se fuder! – Ouvi a porta de entrada ser fechada bruscamente e sorri de lado. -JUSTIN!
Corri pra fora do quarto, conseguindo o encontrar abrindo a porta do escritório com um cigarro entre os dedos. Teria que ter calma com o que falava pra ele, já que Justin parecia estar mais irritado.
–Justin, porque contratou um segurança pra mim? – Perguntei calma e ele me olhou com tédio.
–Pergunta pra ele. – Respondeu simples entrando no escritório.
–Mas esse.. Esse idiota aqui não me responde! – Apontei para Steven que estava a alguns passos de mim.
Justin riu debochado sentando na poltrona.
–Eu sei. – Murmurou colocando o cigarro na boca e logo o tirou, soltando a fumaça da mesma. – Eu mandei ele não falar.
–Mas..
–Cala a boca Aalyah! Eu to cansado pra caralho, não to afim de ficar conversando com você!
Arquei uma sobrancelha.
–Ótimo! Então procura a Marie quando quiser conversar com alguém, idiota! – Empurrei Steven e sai do escritório.
–AALYAH, EU JÁ MANDEI ME RESPEITAR!– Dei de ombros e desci as escadas conseguindo ouvir mais alguns gritos. - VOLTA AQUI CARALHO!
–NÃO TO AFIM!
Sai pra fora de casa indo até um banco que ficava entre algumas arvores. Antes de conseguir respirar fundo, Justin saiu de casa bufando de raiva com algumas veias do pescoço saltadas e jogou o cigarro no chão enquanto vinha em minha direção com passos rápidos e pesados.
–Eu mandei você voltar. – Falou entre dentes.
–Você falou que não queria conversar comigo, então.. – Dei de ombros.
Justin grunhiu e me puxou pelo braço me fazendo levantar do banco.
–Me. Respeita! – Falou lentamente apertando meu braço.
–Me solta! – Justin negou apertando meu braço mais forte ainda. - ME SOLTA CARALHO!
–CALA A BOCA!– Deu um tapa em meu rosto me fazendo prender a respiração. - NÃO GRITA COMIGO!
Fechei os olhos e respirei fundo negando.
–Qual é o seu problema? – Perguntei baixo. – Uma hora grita comigo, depois já me leva pra cama..
–Você me irrita! – Soltou meu braço e passou a mão pelo cabelo. – Eu não aguento você, Aalyah!
–ENTÃO ME DEIXA IR EMBORA! ME LEVA PRA ALLISON!– Gritei o empurrando.
–VOCÊ É MINHA CARAMBA! MINHA E DE MAIS NINGUÉM!– Segurou em meu cabelo e me puxou com força para perto do seu corpo. – Ninguém pode tocar em você!
Neguei e Justin riu sem vida.
–Ninguém pode chegar perto de você, EU sou o único que pode te tocar! – Uma de suas mãos foram até minha bunda, a apertando fortemente enquanto colava ainda mais nossos corpos. – Só EU posso fazer você gemer e gritar meu nome!
Engoli seco e o observei melhor. Justin havia se drogado, aposto que algo havia dado errado.
–Você se drogou.. – Murmurei tentando me afastar mas Justin puxou meu cabelo fazendo minha cabeça pender para trás enquanto eu gemia de dor.
–Só eu posso te beijar.. – Sussurrou próximo ao meu ouvido e mordeu a ponta do mesmo.
Fez uma trilha de beijos entre meu pescoço até chegar ao canto da minha boca.
–Você é minha! – Sussurrou e mordeu meu lábio inferior com força.
Gemi tentando me afastar mas Justin colou nossos lábios definitivamente, com fúria. Tentei me afastar novamente, não retribuindo o beijo, mas Justin puxou meu cabelo novamente me fazendo arfar entre o beijo e aproveitou para o deixar mais intenso, enrolando sua língua com a minha. Conseguia sentir o gosto de sangue entre o beijo, devido a mordida que havia me dado e Justin não parecia se importa com isso, parecia satisfeito com o que havia feito.
Separou nossos lábios apenas quando o ar lhe fez falta e sorriu de lado.
–Você é minha Rapunzel, vou te trancar em uma torre e ninguém poderá tocar em você! – Neguei sentindo meus olhos começarem a arder devido as lágrimas presas.
–Me deixa ir embora.. – Murmurei baixo.
Justin negou e acariciou minha bochecha enquanto ainda segurava em meu cabelo.
–Por favor..
–Ally, você não pode sair da torre!
–EU NÃO VOU FICAR TRANCADA NAQUELE QUARTO! – Gritei tentando me afastar.
Justin grunhiu e ‘enrolou’ meu cabelo em sua mão enquanto me puxava para dentro de casa.
–ME SOLTA!
–VOCÊ VAI FICAR TRANCADA NO MEU QUARTO, SOZINHA!
Solucei alto enquanto Justin me puxava escada a cima e só me soltou quando chegamos em seu quarto, me fazendo cair sobre a cama.
–Só vou te tirar daqui quando dizer que me ama! – Falou tirando a chave da porta.
–EU TE ODEIO!– Me levantei da cama.
–NÃO, VOCÊ ME AMA! NOSSO AMOR É PROIBIDO, MAS VOCÊ ME AMA! – Gritou me empurrando novamente. - VOCÊ É SÓ MINHA!
Justin saiu do quarto fechando a porta bruscamente fazendo as paredes balançarem, e a trancou logo em seguida.
–Eu te odeio… – Murmurei me sentando no chão deixando as lágrimas caírem livremente. - EU ODEIO VOCÊ, JUSTIN!
Já estava trancada naquele quarto a praticamente um dia. Deveria ter dormido apenas três horas, esperando Justin me tirar dali mas me enganei pensando que faria isso cedo. Nem comida ele havia levado.
Seu celular estava em cima da cama e tocava a cada quinze minutos, mas eu não me importava em atender. Minha boca doía devido a mordida que Justin havia me dado, e meu braço estava com uma marca roxa pelo aperto que ele deu.
Eu só queria sair dali…
–Aalyah. – Justin me chamou assim que entrou no quarto.
–Não chega perto de mim.. – Murmurei me sentando no canto do quarto.
–Vai ficar ai então?
Abracei meus joelhos escondendo minha cabeça entre eles e ouvi Justin resmungar alguns palavrões seguidos de passinhos leves e rápidos. Respirei fundo.
–Aalyah.. – Uma voz fininha falou.
Levantei minha cabeça e encarei aqueles olhos pequenos em minha frente. Jazzy estava me olhando curiosa, mas logo colocou as pequenas mãozinhas na boca.
–Você fez dodói? – Perguntou e segurou meu braço olhando o roxo no mesmo.
Encarei Justin e arqueei uma sobrancelha.
–Ela caiu da banheira Jazzy. – Justin respondeu seco.
–Mostra pra tia Pattie, ela cuida! – Arregalei os olhos e neguei.
–Na-não precisa pequena.
–Então vamo lá na cozinha comigo!
Assenti e me levantei do chão, sentindo todo meu corpo arder. Fechei os olhos com força e me apoiei na parede esperando a dor passar.
–Aalyah, você está bem? – Senti a mão de Justin passar levemente pelo meu braço me fazendo abrir os olhos rapidamente e me afastei.
–Vamos Jazzy? – Perguntei segurando em sua mão a levando até a cozinha.
Descemos as escadas lentamente devido aos pequenos passos de Jazzy, e depois corremos até a cozinha. Pattie estava ajudando Aparecida próxima ao fogão.
–Bom dia! – Falei depois de beijar a bochecha das duas.
–Você não me deu um beijo! – Jazzy reclamou cruzando os braços e fazendo bico.
–Oh, desculpa princesa!
Me abaixei ficando em sua altura, e depositei vários beijos em sua bochecha enquanto Jazzy ria tentando se afastar.
–Chega! Chega Ally! – Jazzy colocou as mãos na boca e olhou pela cozinha procurando pelo Justin. – O Justin num ouviu né? – Sussurrou.
Neguei rindo abafado.
–Cadê a Aalyah? – Steven perguntou um pouco aflito.
–To lá no meu quarto.
Sentei em cima do balcão, e Steven cruzou os braços me fitando. Teria que o fazer se demitir, e talvez não fosse tão difícil assim. O ultimo segurança que Justin havia contratado pediu demissão três dias depois.
–Quem é esse? – Pattie perguntou confusa. Bufei.
–Steven, meu novo segurança particular.
–Porque seu pai contratou ele? – Ergui os ombros e desci do balcão assim que Pattie colocou alguns cupcakes em cima do mesmo. – Você está aprontando muito?
–O que? Eu aprontando? Capaz vó! Sou uma menina santa! – Fiz uma aurora em minha cabeça e juntei as mãos fazendo cara de santa.
–Santa só se for a cara.. – Justin murmurou entrando na cozinha.
Dei de ombros e me sentei em frente ao balcão, e fique ajudando Jazzy a enfeitar alguns cupcakes enquanto Justin ficava me encarando.
–Mãe, tem algo pronto para a Aalyah comer? – Justin sorriu de lado e Pattie me olhou confusa.
–Você não comeu?
–Ela não quis, falou que queria emagrecer.. – Deu de ombros.
–Mentira! Fala a verdade pra ela! – Levantei da cadeira e fiquei em sua frente. Por Justin ser mais alto, tive que olhar para cima e ver um sorriso debochado aparecer em seu rosto.
–Porque VOCÊ não conta Aalyah? – Perguntou calmo cruzando os braços. – Conta pra ela o que aconteceu..
–O Justin me trancou no quarto só porque eu.. – Parei de falar vendo a besteira que ia fazer e grunhi de raiva. - VOCÊ É UM IDIOTA!
Justin trincou o maxilar, provavelmente tentando se controlar, e Pattie segurou em seu braço.
–ODEIO VOCÊ! MINHA VIDA É UM INFERNO PELO QUE VOCÊ FAZ!
–Cala a boca.. – Falou entre dentes.
–Aalyah, se acalma.. – Steven segurou em meu braço e tentou me tirar dali.
–EU NÃO POSSO TER UM NAMORADO POR SUA CULPA, NEM UM MISERO AMIGO PODE VIR AQUI!
–CALA A BOCA CARALHO!– Justin se soltou de Pattie e apertou meu queixo me fazendo o encarar em seus olhos. – Eu já mandei me respeitar!
–Você não merece o respeito de ninguém! – Murmurei baixo e senti ser puxada bruscamente para fora da cozinha por Steven.
–EU VOU MATAR ESSA VAD..
–Justin! – Ouvi Pattie o repreender. – Será que dá para explicar o que está acontecendo aqui?!
Tirei sua mão do meu braço e passei a andar em sua frente indo para meu quarto. Queria ficar sozinha em meu quarto mas isso não foi possível já que Steven me seguia.
–Me deixa sozinha. – Murmurei antes de me jogar na cama.
Steven me olhou por alguns segundos e saiu do quarto. Sentia meu estômago revirar devido a fome que sentia, minha boca já não doía tanto e meu braço latejava aonde Justin havia apertado. Mas me sentia pior pelo fato de estar brigando com ele.
Fiquei encarando o teto e um tempo depois a porta foi aberta, mas nenhum som foi emitido e nem me importei em olhar quem era.
Senti o lado da cama afundar e algo gelado tocar meu braço.
–Acho que você está com fome.. – Olhei para o lado e encontrei Steven me olhando um pouco preocupado.
–Não preciso que cuide de mim.
–Seu pai me contratou para isso não é? – Sorriu de lado. – Serio, se não for comer..
–Tá, eu como! – Bufei e peguei a bandeja ao meu lado. – Espera! – O encarei em duvida. – Tá tentando me deixar gorda, só pra não te dar trabalho?
–O que? – Riu abafado. – Eu nem pensei nisso! – Arqueei uma sobrancelha. – Tá, admito! Eu pensei sim..
–Só não vou brigar contigo agora, porque eu realmente estou com fome!
Steven riu baixo e ficou me observando até terminar de comer. De certo modo isso incomodava, então fiquei olhando para a sacada e tentei esquecer que ele estava ao meu lado.
–Sabia que você é chato? – Falei depois de um grande silencio.
–Chato?
–Sim, chato e idiota! – Steven riu negando.
–Então, porque seu pai te trancou?
–Ele é um idiota sem coração viciado em pó! – Murmurei de boca cheia e o ouvi rir abafado.
–Repete. – Olhei confusa para Steven que apontou para porta um pouco receoso.
Levantei meu olhar e encontrei Justin na porta do quarto com a mesma expressão fria de sempre.
–Falei alguma coisa de errado, papai? – Debochei deixando a bandeja ao lado.
–Repete o que falou. – Disse entre dentes dando alguns passos em minha direção.
–Eu disse que você é um idiota sem coração viciado em pó. – Me levantei e fiquei em sua frente. – Menti sobre algo?
Justin trincou o maxilar e respirou fundo.
–A hora que eu perder o controle contigo..
–Você ira me matar e ira fazer um grande favor pra mim! – Sorri falsa e Justin fechou as mãos em punho.
–Sorte sua ter mais alguém nesse quarto com você. – Sussurrou antes de dar alguns passos para trás. – A Allison quer falar com você.
Assenti e antes que pudesse sair, Justin segurou em meu braço e me olhou sinicamente.
–E depois… EU quero falar com você.
Sorri falsa e me soltei de sua mão saindo do quarto rapidamente e fui em direção ao escritório sendo seguida por Steven. Isso já estava me irritando…
Abri a porta e a fechei antes que ele entrasse.
–Aalyah! Pensei que você estivesse sumido! – Allison falou depois de me abraçar forte.
–Desculpa não ter avisado, mas é que o Luke..
–Ele me contou o que aconteceu. – Me interrompeu. – Desculpa por isso.
Sorri sem mostrar os dentes e assenti me jogando no sofá.
–Bom, mas não era sobre isso que eu queria falar. – Allison sentou ao meu lado. – Queria saber se quer passar o fim de semana comigo.
–Mas e o Luke?
–Ele vai ficar em casa. – A encarei com tédio e Allison riu. – Eu quero que vá comigo para o Havaí.
Minha boca se formou em um “O” perfeito enquanto eu assentia lentamente. Allison sorria largo devido minha reação.
–Certo.. Então venho te buscar sexta!
Soltei um grito histérico e a abracei forte enquanto distribuía beijos por sua bochecha. Ouvi a porta abrir e me afastei.
–Obrigada! – Me levantei do sofá e corri pra fora do escritório, fingindo nem ter visto Justin por ali.
–Aalyah! – Me chamou mas não dei bola.
–Steven me ajuda a arrumar minha mala! – O puxei pela mão até o meu quarto.
–Pensei que eu fosse chato. – Murmurou sorrindo de lado.
Bufei e fui até o closet pegando minha mala a deixando sobre a cama.
–Você é chato! Um completo idiota!
–E o que eu ganho se te ajudar? – Abri a boca para responder mas Steven foi mais rápido. – Já sei! Você tira sua camisa de novo..
–Vai se foder! – A olhei indignada. – É serio, me ajuda.
Steven bufou e fechou a porta do quarto antes de ir me ajudar a arrumar as roupas dentro da mala, sempre fazendo algumas gracinhas.
–Você tem namorado? – Perguntou.
–Namorado não, mas tenho uma namorada. – Murmurei dobrando uma camisa e o encarei seria.
Steven me olhava em estado de choque, tentando entender se era verdade ou apenas brincadeira.
–É serio?
–Claro que é! – Comecei a rir e Steven me acertou com um travesseiro. – To brincando! Mas eu… – Meu celular começou a tocar me interrompendo.
O tirei do bolso e olhei no visor. Numero desconhecido.
–Diga.. – Falei assim que atendi.
–Olá Aalyah! Se lembra de mim?
–Desculpa mas..
–Sou eu, Trent! – Me levantei da cama rapidamente e Steven me olhou confuso.
Trent era o segundo maior inimigo do Justin. Era um italianozinho com nome modificado, já que seu verdadeiro nome era Piero. Trent, transportava e recebia todo tipo de pó para depois distribuir para qualquer continente contanto que no pagamento recebesse o preço combinado e algumas vadias.. Havia se envolvido em uma “guerra” com Justin, depois de conseguir dominar algumas partes do Canadá.
–O-o que você quer? – Perguntei e o ouvi rindo do outro lado.
–Se lembrou de mim! Isso é bom, porque eu estou com uma pessoa muito próxima a você… – Fiquei em silencio o esperando continuar. – Conhece um tal de Daniel?
Senti meu sangue gelar por todo meu corpo e meu coração disparar.
–Não faça nada com ele, por favor! – Trent riu debochado.
–Então, peça para o seu papaizito ai me fazer uma visita. – Mordi o lábio inferior. – Sabe aonde estou.
Antes de Trent desligar, consegui ouvir alguns múrmuros e gritos vindo de Daniel o que me fez sair correndo do quarto e ir para o escritório.
–Justin! – O chamei sentindo meus olhos marejarem. – Por favor, me ajuda!
Justin me olhou confuso e se aproximou.
–O que aconteceu?
–O-o T-Tr.. – Respirei fundo. – O Trent pegou o Daniel, e só vai o entregar se você for falar com ele.
–Eu não vou me arriscar por um merda! – Falou e voltou a sua expressão superior e fria.
–ENTÃO VAI SE FODER CARALHO! MEU AMIGO TÁ SOFRENDO NA MÃO DAQUELE DESGRAÇADO, E VOCÊ SÓ PENSA EM SI MESMO!– Deixei uma lágrima cair mas a sequei rapidamente antes de soltar um soluço alto.
–Sabe o que você faz? – Sorriu debochado. – Engole suas palavras junto com seu choro, e vai atrás dele.
O encarei pela ultima vez antes de sair correndo do escritório e voltei para o meu quarto a procura da minha arma. Não iria ficar parada esperando Trent machucar Daniel ou ameaçar o império do Justin para ele se mexer, iria agir sozinha sem me importar com as consequências.
–Ei, ei! O que você está fazendo? – Ouvi Steven perguntar mas não me importei em responder.
Peguei minha arma debaixo da cama, e a coloquei na cintura antes de sair do quarto indo rapidamente em direção a garagem mas assim que passei pela sala, Justin saiu da cozinha e segurou em meu braço.
–Aonde você pensa que vai?
–Atrás do Daniel, porque ao contrario de você.. – Me livrei de sua mão e dei alguns passos para trás. – Eu do valor pelos amigos que tenho.
Justin tentou protestar mas eu já havia saído dali, indo até a garagem e pegando a primeira chave que encontrei em uma mesa no canto dali. Apertei o alarme para ver qual era, e entrei no PPI Audi R8 esperando Steven fazer o mesmo.
–Vamos aonde?
–Toma. – Entreguei meu celular sem responder sua pergunta. – Liga para o meu tio Ryan e o Chris, fala para me encontrarem perto da casa do Trent.
Steven já havia ligado para Ryan e Chris pedindo para me encontrarem próximo a casa de Trent, e recusado todas as cinco ligações seguidas de Justin.
Isso já estava irritando.
–Deixa eu atender essa merda! – Tirei o celular da mão de Steven e atendi.
–AONDE VOCÊ ESTÁ?– Justin gritou do outro lado.
Bufei e abaixei o volume do rádio.
–Eu falei que iria atrás do Daniel.
–Volta. Agora! – Ri abafado.
–Aalyah Mason Bieber, se eu ter que ir te buscar…
–Ah! Vai se foder e me deixa em paz caramba! – Steven me encarou arqueando uma sobrancelha e ouve um breve silencio do outro lado antes da ligação ser encerrada.
Dei de ombros e continuei dirigindo, desta vez em silencio total. Sei que quando chegasse em casa Justin não iria apenas me trancar dentro do quarto, com certeza ira me xingar e me bater. Mas foda-se, eu vou ajudar meu amigo.
Estacionei o carro próximo ao de Chris e Ryan e sai do mesmo, indo de encontro ao dois.
–Tá, porque tamo aqui? – Ryan perguntou cruzando os braços.
–O Trent pegou meu amigo.
Ryan abriu a boca para falar mas antes disso, um carro em alta velocidade parou ao nosso lado e abriu a porta rapidamente. Justin saiu do carro e foi em minha direção grunhindo de raiva.
–Eu mandei voltar! – Segurou em meu cabelo, me fazendo gemer de dor e me puxou contra seu corpo.
–Eu vou atrás do Daniel!
–VAI O CARALHO!– Gritou e algumas veias de seu pescoço saltaram.
–Justin, deixa ela.. – Ryan tentou fazer Justin se afastar mas acabou levando um empurrão dele.
–Ela é MINHA filha! Eu sei o que faço! – Me puxou em direção ao carro e praticamente me jogou no banco dianteiro.
–Me deix..
–CALA A BOCA!– Fechou a porta com força e deu a volta no carro.
Assim que o carro ligou, seu celular começou a tocar mas Justin não fez nada.
–Meu amigo está correndo perigo!
–E o que eu posso fazer? Ninguém mandou aquele merda andar por aqui!
–NÃO FALA ASSIM DO DANIEL!
–NÃO GRITA COMIGO!– Gritou e acelerou o carro. - EU SOU SEU PAI, SEI O QUE FAÇO!
–Você não é meu pai… – Murmurei abaixando a cabeça.
Senti o carro parar bruscamente e meu rosto ser levantado com força. Seu olhos estavam completamente escuros e as veias do seu pescoço saltadas enquanto seu rosto adquiria uma cor vermelha.
–Repete. – Engoli seco e mordi o lábio inferior. - REPETE VADIA! REPETE O QUE VOCÊ DISSE!
–VOCÊ NÃO É MEU PAI!– Gritei e senti meu rosto queimar devido ao tapa que Justin me deu.
Meus olhos lagrimejaram mas tentei me manter forte em sua frente.
–NUNCA MAIS… – Respirou fundo. – Nunca mais diga isso!
–É difícil ouvir a verdade? – Arquei uma sobrancelha e Justin trincou o maxilar. – Você. Não. É. Meu. Pai! – Falei lentamente e senti o outro lado do meu rosto queimar.
Desta vez não havia sido apenas um tapa mas sim um soco próximo ao meu olho esquerdo. Abri a boca em choque e o empurrei tentando me afastar.
–VAGABUNDA, EU MANDEI FICAR QUIETA!
–Me manda embora de casa que é melhor!
–CALA A BOCA!– Segurou em meu cabelo e o puxou fortemente. – Espere até chegar em casa… – Murmurou antes de me empurrar contra a porta do carro.
Mordi o lábio inferior impedindo um grito de dor e passei a mão pelo rosto tentando não chorar, enquanto o carro voltava a movimento . Sentia o lado esquerdo do meu rosto doer e latejar devido ao soco que havia levado e sabia que isso poderia ser apenas o começo do que Justin faria.
Se bem que… Foi a primeira vez que ele havia me batido assim.
O caminho até em casa foi todo em silencio sendo quebrado apenas pela respiração pesada de Justin que parecia querer quebrar o volante de tanta força que o apertava. Assim que o carro parou em frente a porta de casa Justin saiu e deu a volta, abrindo a porta do meu lado. Segurou em meu cabelo e me puxou para dentro de casa.
–Justin! – Pattie olhava tudo assustada, enquanto Jazzy parecia querer chorar. Tentava me soltar mas parecia impossível.
Sem permissão alguma, minhas lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto e não havia como as parar agora.
Justin grunhia de raiva e subia as escadas em uma velocidade absurda, me fazendo tropeçar e quase cair devido a minha vista embaçada. Abriu a porta do meu quarto, e me jogou no chão logo depois de acertar um tapa em meu rosto.
–Eu mandei ficar em casa… – Começou enquanto eu negava.
–Justin, para com isso!
–Perdi meu tempo indo atrás de você! – Passou as mãos pelo cabelo e os puxou com raiva. – E o que eu recebo em troca?
–Me desculpa! – Murmurei observando Justin ir até a porta e a trancar.
–Me desculpa? – Franziu o cenho e negou. – Acha que desculpas resolve? PARECE QUE VOCÊ NÃO ME ESCULTA NUNCA CARAMBA! O TRENT ESTAVA APENAS TENTANDO PEGAR VOCÊ!
–E-ele estava com o Dan..
–ERA MENTIRA CARALHO! – Gritou enquanto acertava a parede com um soco.
–Justin…
–Porque você não me chama de pai? – Murmurou parecendo contrariado.
–Depois do que fizemos, não tem como… – Sussurrei.
Justin acertou mais um soco na parede antes de virar pra mim, vindo em minha direção.
–Isso não está certo… – Negou. - ISSO NÃO ESTÁ CERTO!
Abaixou ficando em minha altura e segurou em meu cabelo me obrigando a encara-lo.
–Me chama de pai. – Mordi o lábio inferior e Justin me acertou com um tapa. - ME CHAMA DE PAI!
–Justin! Abre essa porta agora! – Ouvi Pattie dizer ao lado de fora do quarto mas Justin parecia não se importar.
–Para, por favor! – Sussurrei soluçando.
–VOCÊ É UMA VADIA, UMA VAGABUNDA!– Acertou um soco no canto da minha boca e pude sentir o gosto do sangue. - MERECE FICAR TRANCADA NESSA MERDA, ATÉ APRENDER A ME RESPEITAR!
–Justin! – Ouvi a voz baixa de Jazzy. – Num faz dodói na Aalyah!
Justin grunhiu de raiva e me jogou contra a parede enquanto acertava mais um soco, desta vez em minha barriga e comecei a tossir tentando me afastar.
–VOCÊ NÃO MERECE MEU SOBRENOME!– Gritou e mais uma vez meu rosto foi atingido. - OLHA O TANTO DE MERDA QUE VOCÊ FAZ!
–M-me des-descul…
–VOCÊ JÁ ABRIU AS PERNAS PRO FILHO DA PUTA DO LUKE.. – Segurou em meu pescoço me levantando do chão enquanto o apertava contra a parede. – PARECE QUE GOSTA DE ME VER COM RAIVA!
Tentava falar mas o ar já me fazia falta e Justin não se importava com isso. Parecia querer descontar toda a raiva que sentia quando o desrespeitava.
–J-Jus..
–VOCÊ É UMA VADIA, TEVE QUE SER PARECIDA COM A MÃE!– Com a outra mão conseguiu acertar outro soco em meu rosto me fazendo gritar. - APOSTO QUE PLANEJA GOZAR NA CARA DO STEVEN TAMBÉM!
Tentava puxar ar com a boca mas isso já estava se tornando impossível. Ainda conseguia ouvir Jazzy e Pattie gritaram fora do quarto, mas não conseguia prestar atenção.
–QUERIA SALVAR O DANIEL PARA TER ALGUÉM PARA CORRER QUANDO QUISER FICAR ARROMBADA!– Acertou outro soco em meu rosto e me jogou no chão. – Sinceramente não sei o que fazer com você!
Coloquei minhas mãos no pescoço e tossi algumas vezes enquanto me arrastava pelo chão, sem forças para levantar, tentando me afastar de Justin que parecia se acalmas aos poucos.
–Fiquei sabendo que iria viajar com a aquela vadia. – Riu debochado dando passos lentos em minha direção. – Planejava fazer algo do tipo.. Suruba?
–E-eu.. – Tossi novamente incapaz de terminar a frase.
Justin puxou meu cabelo enquanto eu gritava, e me fez ficar de pé indo até o banheiro.
–Tá vendo isso? – Levantou minha cabeça em direção ao espelho. - TÁ VENDO SUA CARA?– Solucei alto.
Justin me jogou no chão e acabei batendo a testa na banheira.
–VOCÊ MERECE MUITO MAIS DO QUE ISSO!– Segurou em meu queixo dando uma olhada rápida para minha testa. – Sou muito bonzinho de não acabar com sua vida!
Mordi o lábio inferior e senti algo quente descer em minha testa enquanto o lugar que havia batido, latejava.
–EU te ajudei a nascer e posso acabar com sua vida. – Me empurrou e se afastou, indo em direção a porta.
Antes de sair, voltou para dentro do banheiro e jogou uma toalha em meu rosto.
Respirei fundo tentando parar de chorar e tirei a toalha que ainda estava em meu rosto, a vendo sair com algumas marcas de sangue. Sentia meu rosto inteiro latejar de dor, e estava sem coragem alguma de me levantar.
–Aalyah!
–Jazzy, não vai atrás dela! – Justin continuava no quarto.
Alguns passos leves e rápidos se aproximaram de mim e Jazzy entrou no banheiro parando na porta e ficou me olhando enquanto seus olhos enchiam de lágrima. Ela poderia ter apenas quatro anos, mas parecia entender certas coisas como se fosse uma pessoa completamente adulta.
Levei a toalha até minha testa e agora pude ver uma boa quantidade de sangue na mesma.
–Jazzy, volta aqui! – Justin tentou a segurar mas ela correu em minha direção e me abraçou forte.
Gemi de dor e fechei os olhos com força. Justin nunca a tratava mal, nunca brigava serio com ela sem se desculpar depois e a fazer sorrir.
Jazzy começou a chorar alto e tentava esconder seu rosto em meu ombro.
–Jazzy… – Justin tentou a chamar.
–Putê fez i-isso com a minha A-Aalyah? – Murmurou através de alguns soluços e me abraçou mais forte e novamente gemi de dor.
–Jazzy, vem cá.
–Num quelo! – Praticamente gritou e pela primeira vez consegui ver Justin se sentindo culpado. – Você fez dodói na minha Aalyah! – Soluçou alto.
Mordi o lábio inferior e a peguei no colo enquanto tentava me levantar do chão. Jazmyn agarrou em meu pescoço e escondeu o rosto entre minha camisa.
–Jazzy, a Aalyah está bem! – Justin murmurou e tentou se aproximas mas ela tentou o acertar com os pés.
–Num tá! Olha pro dodói na testa dela!
Sai do banheiro e caminhei lentamente até minha cama. Me sentei nela e Jazzy ergueu o rosto para me olhar.
–Olha pra mim princesa.. – Justin se ajoelhou em minha frente e Jazzy cobriu o rosto com as mãos.
Justin trincou o maxilar e me encarou.
–Será que agora.. – Pattie entrou no quarto e parou de falar assim que viu. – OH MEU DEUS! JUSTIN O QUE FOI QUE VOCÊ FEZ?
Correu em minha direção e segurou em meu rosto olhando todos os machucados.
–Ela mereceu. – Murmurou antes de se levantar e passar a mão pelo cabelo de Jazzy mas ela se afastou.
–Não! Minha Aalyah tá dodói, num quero você!
–ELA NÃO É SUA AALYAH CARALHO! PARA COM ISSO JAZMYN! – Justin gritou extasiado mas logo percebeu a burrada que havia feito.
Jazzy gritou e tampou os ouvidos com as mãos começando a chorar mais alto. Pattie o encarou pasma e negou.
–Você não é o menino que eu criei.
–Mãe, eu..
–Desde pequeno eu te ensinei a não levantar a mão pra UMA mulher! – Pattie tirou o celular do bolso e discou algum numero.
Justin mantinha a expressão arrependida no rosto, e revisava olhares entre Jazzy e Pattie mas NUNCA me olhava.
–Calma pequena.. – Sussurrei a abraçando. – Eu estou bem.
–Num tá! – Soluçou alto e passou um dos dedos no canto da minha boca. – Tem muito dodói aqui!
O quarto ficou em silencio e apenas a voz de Pattie falando ao telefone, era ouvida. Jazzy foi se acalmando aos poucos e quanto finalmente parou de chorar, Justin se sentou ao meu lado e tentou a pegar no colo mas ela o afastou com os pés.
–Vem cá Jazzy!
–Não, você vai fazer dodói em mim!
Fechei os olhos e respirei fundo. Me sentia tonta com tudo isso, e sabia que era apenas o começo.
Senti Jazzy passar os dedos em meu pescoço e rir baixo.
–Tá roxo aqui.. – Murmurou e senti o clima ficar um pouco mais tenso. – Eu gosto de roxo!
–Justin… – Pattie não tinha expressão alguma no rosto. – O que foi que você fez?
–Eu já disse que ela mereceu! Devia agradecer por não ter a matado!
–Do mesmo jeito que ela não te chama de pai.. – Pattie negou deixando uma lágrima cair. – Eu não quero que me chame de mãe.
–O que?
–Eu tentei te educar, eu juro que tentei.. Mas.. Olha o que você fez!
Justin me encarou pela primeira vez depois do que fez, e parecia não acreditar no que estava ouvido.
–Feliz? – Perguntou ainda me encarando. – Feliz pelo que fez?
–Mas eu..
–Cala a boca! – Me interrompeu. – Não fala comigo!
–Justin. – Jeremy apareceu no quarto e eu juro que vi Justin ficar com medo mas logo se recompôs.
Jeremy era o único que consegui colocar medo em Justin, não apenas pelo fato dele ser seu pai ou ser provavelmente mais forte que ele, mas o motivo real… Nem eu sei.
Jazzy desceu do meu colo rapidamente e correu em direção ao seu pai que a pegou no colo.
–Oi princesa!
–Papai, o pescoço da Aalyah tá roxo! – Riu e desceu do seu colo correndo em minha direção. – Eu gosto de roxo..
Jeremy me olhou de cima a baixo e encarou Justin, negando.
–Venha. – Saiu do quarto sendo seguido por Justin.
Respirei fundo e Pattie foi até o banheiro trazendo uma caixinha branca com alguns remédios.
–Vai cuidar do dodói dela? – Pattie assentiu sorrindo fraco e sentou meu lado.
–Jazzy, você poderia ir brincar no quarto?
–Depois eu brinco com você. – Falei sorrindo fraco.
Jazzy assentiu e saiu correndo do quarto. Pattie segurou em meu rosto levemente observando os machucados antes de passar o remédio neles.
–Ai! – Reclamei me afastando. – Isso arde!
–A Jazzy não reclama assim.. – A olhei com tédio e me aproximei novamente. – Você pode me explicar o porque disso tudo? – Respirei fundo e assenti.
–É que eu.. Ai! – Reclamei novamente e Pattie riu abafado. – Eu meio que fugi de casa para ir atrás do meu amigo.
–Fugiu? – Assenti. – Aalyah, o Justin odeia isso!
–Eu sei! Mas.. Quando eu pergunto, ele NUNCA me deixa sair de casa.
–Você sente falta dos seus amigos não é? – Assenti e fechei os olhos quando a senti passando o remédio em minha testa.
–Ele nunca me deixa sair daqui, parecer ter… Medo de que algo aconteça! – Pattie respirou fundo.
–Esse corte está muito fundo, vou ter que te levar no hosp..
–NÃO! Não, precisa! Passa o remédio que já está bom!
Pattie negou e se levantou da cama guardando os remédios na caixa e jogando os algodões no lixo do banheiro.
–Não vamos demorar ok? – Fiz bico e ela riu baixo. – Vamos Aalyah!
Fiz bico e a segui até o carro. Se tem uma coisa que eu odeio é o hospital, principalmente quando EU sou a paciente.
[...]
–Não! Você brinca com essa aqui! – Jazzy brigava comigo pelo fato de estar pegando outra boneca.
Sobre o que aconteceu no hospital? Bom, acabei levando quatro pontos e um dos médicos deu encima se mim mas, isso não vem ao caso.
–Não é essa! – Jazzy me entregou outra boneca. – Pronto, essa é a princesa Ally e essa aqui.. – Pegou a boneca ao seu lado e a abraçou. – É a princesa Jazmyn.
–Certo, e o que nos vamos..
–Aalyah.. – Justin me chamou próximo a porta. – Oi Jazzy!
Jazmyn virou o rosto e Justin respirou fundo.
–Aalyah, eu… Quero falar com você.
–Ok.. – Me levantei e depositei um beijo na bochecha de Jazzy. – Já volto princesa.
Segui Justin até seu quarto, e assim que entramos ele fechou a porta e passou a mão pelo cabelo.
–Olha, eu… – Respirou fundo. – Merda, como é difícil falar isso!
Encarei o chão por alguns segundos e senti meu rosto ser levantado levemente. Justin me olhava com um sorriso de lado e acariciava minha bochecha.
–Tá melhor? – Assenti e tirei sua mão do meu rosto. – Aalyah..
–Justin, se você não for falar mais nada eu.. Tenho que ir brincar com a Jazzy.
Justin respirou fundo e olhou para o chão murmurando alguma coisa na qual eu não consegui decifrar.
–Me desculpa. – Falou rápido. – Serio, eu… Eu não deveria ter feito isso!
–Tá.. Tudo bem! – Sorri falsa e fui até a porta. – Eu vou..
Senti meu corpo ser puxado com força se chocando contra o de Justin, e acabei segurando em seu ombro, surpresa. Seu rosto foi se aproximando do meu lentamente e eu sentia mão apertar minha cintura com certa força não me deixando recuar. Quando seus lábios ficaram a centímetros do meu, tentei falar algo mas Justin negou.
–Não fala nada…
Justin colou nossos lábios, sem pressa alguma e soltou um pouco sua mão em minha cintura a levando até o meu rosto. Sua língua passou lentamente entre meus lábios e eu acabei cedendo a passagem ao que descreveria de beijo perfeito. Sem pressa alguma, parecia querer aproveitar o que estávamos fazendo e por mais que isso fosse errado, eu já não conseguia corresponder aos meus atos quanto Justin se aproximava.

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