21 de outubro de 2012

Dangerously Close – Test Of DNA – Capitulo 11


Jeremy me encarava serio, provavelmente esperando alguma explicação minhas mas eu não conseguia dizer nada. Deveria estar pálida, com medo da sua reação.
–Depois que ele melhorar, quero que façam um teste de paternidade. – Murmurou e começou a andar em direção ao carro.
–Espera! – Gritei e corri em sua direção. – Você não..
–Sobre o que aconteceu? – Me interrompeu. – Ele estava drogado, estava tentando mostrar que você era realmente dele.
–Então, você… Não vai brigar ou, sei lá?
–Não com você.. – Abriu a porta do carro. – Com o Justin, é outra historia. – Assenti tentando não demonstrar o alivio que senti. – Vou te levar pra casa.
–Mas o Justin não me quer lá, e o Steven..
–Eu vou ficar lá até tudo se resolver, ele não vai fazer nada contra você.
Assenti e entrei no carro. Na verdade, eu estava com medo do que Justin iria fazer assim que me ver em casa. Ele estava drogado agora, não sabia o que estava fazendo mas quando o efeito passar, provavelmente ele vai querer me matar.
Fomos todo o caminho em silencio, seguindo o carro da frente que levava o Justin. Assim que chegamos, Jeremy deixou o carro com os seguranças e me seguiu até o quarto, enquanto Justin era levado até o seu, desacordado devido ao sonífero que haviam lhe dado.
–Descanse, mais tarde vamos fazer o teste. – Assenti.
–Você vai chamar a Allison?
Jeremy respirou fundo e saiu do quarto, sem falar nada. Essa era uma das coisas que eu odiava nele, respondia apenas o que queria e não se importava com nada que acontecesse ao seu redor. Até mexerem com o nome da sua família.
Fui até o banheiro, tomei um banho bem demorado, já que não teria nada para fazer e assim que sai, me joguei na cama. Minha vida não iria ficar melhor, já deveria me acostumar com isso.
Peguei meu celular e liguei para o Steven.
–Ei, aonde te levaram? – Perguntou assim que ainda atendeu, me fazendo rir.
–To em casa. Novamente.
–O Justin te bateu? – Perguntou preocupado.
–Não, o Jeremy tá aqui. – Consegui ouvir Daniel ao fundo, xingando Steven.
–Vai se foder, e me deixa falar com ela! – Dei risada.
–Que amor vocês dois! Vocês já foram pra cama?
–Daniel, eu posso contar pra Ally o que fizemos?
–O que a gente fez? – Daniel perguntou confuso.
–Que a gente… – Ouve um breve silencio do outro lado.
–VAI SE FODER, SEU GAY!– Daniel gritou me fazendo gargalhar. – Oh Aalyah, como você pode ficar com esse… Gay?
–Toda menina tem um amigo gay. – Falei depois de respirar fundo.
–Viu Daniel, eu disse que ela aceita sua orientação sexual.. – Steven riu.
–VAI SE FODER SEU VIA…– Daniel ficou quieto por alguns minutos e Steven começou a rir mais alto. - FILHO DA PUTA, DESGRAÇADO!
–O que você fez, Steven? – Perguntei rindo.
–Acho que… – Respirou fundo. – Machuquei o amiguinho dele.
Ficamos conversando por mais alguns minutos e assim que desliguei, deitei na cama e acabei dormindo.
[...]
–Aalyah… – Senti meu corpo se balançado de leve me fazendo gemer. – Aalyah, acorda!
Respirei fundo e abri os olhos, encontrando Aparecida sentada ao meu lado parecendo um pouco tensa.
–Estão te esperando no escritório. – Assenti.
Levantei da cama e fui até o banheiro para lavar meu rosto, e então fui até o escritório. Dei dois toques na porta, e abri.
Estavam todos ali, Jeremy, Pattie, Allison, Chaz, Ryan, Dennis e sentado na mesma poltrona de sempre, estava o Justin ao lado de um senhor, que deveria ser algum medico, vestido com um jaleco branco.
–O que essa vadia está fazendo aqui? – Justin perguntou assim que me viu.
Mordi o lábio inferior e fiquei ao lado de Jeremy, de cabeça baixa não querendo ver todos me olharem com nojo.
–A Aalyah está aqui porque eu quero deixar essa historia a limpo. – Jeremy encarava todos superior. – Esse é o doutor James. – Apontou para o senhor de branco, que acenou com a cabeça.
–Eu já disse que.. – Justin começou, mas Jeremy o interrompeu.
–Você vai fazer o exame sim, EU decido as coisas agora- Falou rude. – Doutor, por favor..
O senhor assentiu e abriu a maleta que carregava em uma das mãos, atraindo o olhar atento de todos. Abriu um pacotinho tirando de dentro uma espécie de cotonete, se aproximou de Justin e tentou falar mas ele o interrompeu.
–Não vou fazer isso! – Murmurou e Jeremy lhe lançou um olhar mortal.
–Ou você faz isso, ou a situação piora pra você. – Falou ameaçador, um pouco baixo fazendo Justin respirar fundo.
Justin abriu a boca e o doutor colocou aquele cotonete na boca dele, mas parecia tremer de medo por estar ali no meio da família de um criminoso. Acabei rindo baixo, mas foi o suficiente para chamar a atenção de volta pra mim.
–Quem é a outra pessoa? – O doutor perguntou e Jeremy segurou em meu ombro.
–Essa merda só vai comprovar que essa… Vadia não é minha filha. – Justin falou enquanto o doutor andava em minha direção, com outro cotonete.
–Ela é sua filha. – Allison murmurou e Justin riu debochado.
–Jura? E como tem certeza disso depois de ter me traído com aquele filho da puta?
–Justin! – Pattie o repreendeu, mas Justin deu de ombros.
Abri minha boca assim que o doutor se aproximou e senti o olhar atento de Justin a cada movimento meu. Tenho certeza que toda essa “reunião” vai acabar em uma bela confusão. Jeremy levou o doutor até a porta, e falou para esperarmos ali no escritório porque o resultado sairia logo.
Justin ficou em silencio mantendo o olhar em cada movimento que eu fazia, enquanto todos começavam a conversa baixo.
–Porque você veio aqui? – Justin perguntou, fazendo todos ficarem em silencio apenas esperando minha resposta.
–O.. Jeremy falou que..
–Já deveria saber! – Me interrompeu e riu debochado.
–O que ira fazer quando sair o resultado? – Allison perguntou.
–Nada, a Aalyah vai pra sua casa e minha vida vai seguir normal.. – Deu de ombros e cruzou os braços se encostando na poltrona.
–É bom saber que eu não sou nada pra você. – Falei e comecei a andar em direção a porta mas Jeremy me impediu de continuar.
–Aonde você vai? – Perguntou um pouco confuso.
–Eu não quero ficar aqui, eu só… Estou dando problemas! – Senti meus olhos começarem a marejar, mas o fechei com força e respirei fundo. – Posso ir embora? – Murmurei assim que abri os olhos.
Jeremy me encarava com pena, mas seu olhar logo enrijeceu ao cruzar o olhar com Justin.
–Fica só mais alguns minutos, o doutor já volta. – Assenti e abracei meu corpo, antes de voltar para dentro do escritório. Continuei de cabeça baixa e acabei deixando uma lágrima cair e nem me importei em a secar. O local se mantinha em silêncio, e eu conseguia sentir vários olhares sobre mim.
–Aalyah… – Ryan tentou tocar em meu ombro mas me afastei bruscamente.
–Me deixa, eu sou apenas uma vadia não mereço o amor de ninguém.. – Olhei em seus olhos e pude o ver ficar tenso. – Não é isso que vocês estão falando?
Ryan virou o rosto para o outro lado e eu apenas neguei. Depois de mais alguns minutos de silencio, Jeremy me cutucou e apontou pra porta. Steven estava parado ali, olhando tudo um pouco receoso.
–Posso? – Sussurrei para Jeremy e ele assentiu sorrindo fraco.
Respirei fundo e corri em direção a Steven, o abraçando forte e deixando mais algumas lágrimas cair. Era incrível como em pouco tempo, Steven já consegui se tornar especial pra mim. Um melhor amigo que podia se aproximar a hora que quisesse, e era pago pra isso.
–Seu pai tá me encarando com raiva… – Sussurrou um pouco tenso.
Encerrei o abraço e neguei.
–Não liga, o Justin tem uma pedra no lugar do coração. – Falei alto, para ter a certeza de que Justin conseguisse escutar.
–Vadias como você, não precisam de amor. – Justin falou.
Steven mordeu o lábio inferior e passou o braço pela minha cintura, caminhando comigo até o sofá. O escritório continuava em silencio e era apenas quebrado por algum murmuro entre os garotos.
–Licença… – O doutor falou depois de dar dois toques na porta, chamando toda a atenção pra si. – Eu já tenho o resultado.
–A confirmação de que ela não é minha filha… – Justin riu irônico mantendo seu olhar sobre mim. – Não é?
O doutor ajeitou o óculos em seu rosto e foi até a mesa, deixando sua maleta ali e a abriu para tirar duas folhas.
–Bom, o resultado mostra que a Aalyah tem parte do gênesis parecida com a do senhor Justin. – Falou olhando para as folhas.
–E o que isso quer dizer? – Justin perguntou confuso me fazendo rir irônica, atraindo o olhar de todos.
–Quer dizer que a Aalyah é realmente sua filha.
Justin ficou sem expressão alguma no rosto, e todos naquela sala pareciam não acreditar no que o doutor falava. Steven me apertou contra seu corpo, e parece que isso só fez Justin ficar com mais raiva ainda.
–ESSA MERDA ESTÁ ERRADA!– Gritou levantando da poltrona. - ELA NÃO É MINHA FILHA!
–É por isso que eu falo que você não é MESMO o meu filho. – Jeremy riu debochado e tirou um charuto do bolso de seu palito, e o acendeu logo em seguida. – Tira conclusões com fotos…
–Isso não importa, eu não confio é nessa vadia! – Apontou para Allison.
–E em testes de DNA? Continua duvidando? – Jeremy arqueou uma sobrancelha.
Jeremy pediu para todos saírem do escritório, deixando apenas eu e Justin ali. Talvez ele queria apenas fazer a gente se entender, mas eu tenho a quase certeza de que isso só ira piorar. Justin não é daqueles de pedir desculpas, e se fizer isso é porque realmente está arrependido.
Assim que todos saíram dali, Jeremy saiu e fechou a porta fazendo o silencio permanecer ali. Respirei fundo e sentei no sofá, por mim, eu não estaria mais ali aquele silencio era desnecessário.
Fiquei brincando com meus dedos sem nem olhar para Justin, mas consegui sentir seu olhar sobre mim. Depois de mais alguns minutos naquele silencio, levantei do sofá para sair dali mas Justin me chamou.
–O que fazemos? – Perguntou calmo me fazendo rir debochada.
–Serio? Você me perguntando o que fazer?
–Aalyah…
–Você acha mesmo que vai tudo voltar a ser como estava? – Me aproximei da mesa em sua frente. – Acha mesmo que depois do resultado daquela merda, vamos voltar a ser o que éramos?
–Deveria. – Ri falsa enquanto negava.
–Você é um idiota mesmo, não é?
–OLHA O JEITO QUE FALA COMIGO, EU SOU…– Parou de falar e engoliu seco.
–Viu só, nem você mesmo consegue terminar essa frase. – Justin respirou fundo e trincou o maxilar. – Vamos fazer o seguinte, eu vou apenas continuar morando aqui e nem vou falar com você. – Dei de ombros.
–Eu que mando aqui, EU decido o que fazer nessa merda!
–Então me diga o que vamos fazer daqui pra frente.. – Cruzei os braços e Justin virou o rosto para o lado oposto enquanto dava um soco na mesa.
–Porra Aalyah, o que você quer que eu faça? Acha que eu deveria ter te tratado do mesmo jeito, depois do que eu vi?
–Depois de tudo que fizemos, sim. – Disse como se fosse obvio e Justin passou as mãos pelo cabelo em frustração.
–NÃO DAVA CARALHO! É COMPLICADO PENSAR QUE EU CUIDEI DE VOCÊ TODO ESSE TEMPO, E DEPOIS SIMPLESMENTE PENSO QUE ERA TUDO…– Respirou fundo. – Mentira.
–E então, você preferiu esquecer tudo que passou e fez por mim e preferiu me tratar como uma… Vadia. – Meus olhos começaram a marejar mas segurei para as lágrimas não começarem a rolar.
–Eu agi pela razão, e-eu não consegui pensar no que fazer.. M-me des… – Negou e puxou o cabelo com uma das mãos. – Eu não sei o que fazer!
–Engolir seu ego e me pedir desculpas já é o começo.
–Sabe que é difícil pra mim..
Respirei fundo e antes que eu pudesse impedir, uma lágrima acabou rolando mas a sequei rapidamente. Respirei fundo novamente e sai dali, ignorando a voz de Justin me chamando, e fui direto para meu quarto. Precisava de um pouco de sossego, e tenho certeza que todos estão na sala.
Tranquei a porta para ter a certeza de que ninguém entraria ali e escorreguei até o chão, deixando as lágrimas rolarem livremente pelo meu rosto e o silencio ser quebrado por soluços altos. O que eu espera disso tudo? Talvez que todos ali me pedissem desculpas eu aceitaria, mas Justin teria que ir além de palavras para provar que realmente estava arrependido. Só não saberia quando isso iria acontecer, e SE iria acontecer.
Justin P.O.V
Porque eu tenho que estragar as coisas quando tudo está se encaixando? Eu sou um completo idiota e Aalyah tinha razão em estar assim, mas eu não sabia como voltar atrás do que eu fiz.
Depois que ela saiu do escritório, fiquei mais um tempo ali apenas pensando e fui até a sala. Sabia que teria que inventar alguma merda pra tirar todo mundo dali, não precisa de mais pessoas cuidando de cada passo meu.
–Conseguiram se entender? – Pattie perguntou assim que terminei de descer as escadas.
–É… Conseguimos. – Dei de ombros tentando fazer aquilo soar verdadeiro, mas acho que Ryan percebeu isso.
–E cadê ela? – Allison perguntou um pouco entusiasmada. Juro que tenho uma briga interna para não pegar minha arma e matar ela.
–No quarto, descansando. – Me joguei no sofá e todos começaram a me encher de perguntas. - OH CARALHO, SERÁ QUE VOCÊS PODEM ME DEIXAR EM PAZ AGORA?
Aos poucos, todos foram indo e embora até restar apenas eu e Ryan ali. Sabia que ele tinha sacado algo de errado.
–Vocês continuam do mesmo jeito né? – Perguntou sorrindo de lado.
–Continuamos o que? – Perguntei confuso.
–Se pegando.. – Deu de ombros. – É por isso que a Aalyah ficou tão bolada com você.
–Não! – Levantei do sofá negando. – A gente parou com isso.
–Cara, não precisa negar… Eu não me importo mais.
–Você tá drogado? Te doparam? – Perguntei ainda confuso e Ryan riu abafado.
–To de boa… É serio, se quiser continuar com isso por mim tudo certo, mas não quero que a magoe.
Ok, isso estava estranho. Estranho até demais.
–Você tá com alguma escuta é isso?
–Não cara, eu to falando serio! – Levantou do sofá. – Eu tentei impedir, mas eu tenho certeza que vocês não pararam..
–Então… – Comecei e Ryan bufou.
–Façam o que quiserem, se beijem, se fodam, saiam juntos sei lá! Eu não vou impedir, você é o “todo poderoso” daqui. – Falou com deboche.
Isso tudo estava muito estranho, mas negar agora que ele já tinha mudado de ideia sobre isso. Mais um ponto positivo pra isso dar certo.
Depois dessa pequena conversa, ficamos jogando vídeo game por algumas horas até Ryan ir embora dando a desculpa de que “iria sair com uma garota“. E novamente estava sozinho com Aalyah.
Respirei fundo e fui até o seu quarto, abri a porta sem bater antes e a encontrei dormindo no chão com o rosto molhada e um pouco vermelho. Isso só me deixou pior..
Fui até ela, a peguei no colo e a coloquei deitada na cama. Teria que achar um jeito de a conquistar de volta, sabia do que Aalyah era capaz e não queria a ver sofrendo por uma idiotice minha. Apenas espero que ela me desculpe e volte a ser a minha garota. Apenas minha.
–O que você vai querer? – Aparecida perguntou depois de uma breve comemoração do resultado.
–Hãn… – Bufei e sentei no balcão. – Sei lá!
–Gosto de fazer sei lá… – Falou com sacarmos me fazendo rir.
–Bom dia! – Justin entrou na cozinha sorrindo largo, e na mesma hora parei de rir. – O que tem pro café?
–A Aalyah quer uma porção de sei lá.. – Aparecida tentou fazer graça mas não deu muito certo. Não a culpo por isso, ela não sabe o que estamos passando.
–O que vem nessa porção, Aalyah? – Justin perguntou enquanto se aproximava.
Apenas neguei e levantei do balcão, indo até a geladeira e pegando uma caixa de suco. Não queria apenas dar um gelo nele, queria o ver se ajoelhar em minha frente se realmente estiver arrependido do que fez, mas até agora parece que o Justin está pensando que tudo vai voltar a ser como era como se nada tivesse acontecido.
–Então, cadê a Marie? – Perguntei depois de tomar um grande gole do suco.
–Ela está limpando a sala de jogos. – Aparecida respondeu sem dar muita atenção.
Sentei novamente no balcão, um pouco distante de Justin e fiquei “balançando” meus pés enquanto observava Aparecida fazer algo no fogão.
–Podemos sair hoje, o que acha? – Justin perguntou um pouco empolgado mas o ignorei.
–Aparecida, eu vou esperar no meu quarto ok?
Desci do balcão e antes que pudesse sair da cozinha, Justin segurou em meu braço e me puxou contra seu corpo.
–Não me ignora… – Sussurrou serio.
–Porque? Vai me espancar de novo? – Soltei meu braço bruscamente e me afastei.
Justin tentou falar algo mas sai da cozinha antes disso, indo direto para meu quarto. Esse era mais um de seus defeitos, quando fazia algo de errado sempre agia como se nada tivesse acontecido.
Fiquei jogando vídeo game sentada no chão do meu quarto mesmo, e só parei quando ouvi a porta ser aberta e fechada bruscamente e Justin vir em minha direção rapidamente.
–O que você quer que eu faça? – Perguntou rápido assim que ficou em minha frente.
–Como assim? – Levantei do chão um pouco confusa.
–O que eu faço pra você me perdoar? – Ri debochada negando. – Porra Aalyah, qual é a sua? Eu to tentando ser legal com você, e tudo que eu recebo é uma risada debochada? O que você quer que eu faça? Peça desculpas? – Mordi o lábio inferior e passei a encarar o chão. – Então me desculpa caramba, me desculpa por ter te espancado, me desculpa por ter sido um idiota, me desculpa por ter agido daquela forma! Eu não posso fazer nada para voltar atrás e concertar a merda que eu fiz!
–Tá… Eu.. – Respirei fundo. – Eu te desculpo.
–Sério? – Perguntou sorrindo de lado.
–Sim mas, isso não quer dizer que vamos voltar a agir como antes. – Sentei novamente no chão e voltei a jogar. – Eu te perdoei, mas não esqueci o que fez… Perdi a confiança em você.
Justin ficou em silencio por alguns minutos, e depois sentou ao meu lado parecendo um pouco fracassado.
–Quer jogar? – Perguntei dando pausa no jogo.
–Tenho coisas mais importantes para fazer. – Murmurou se levantando do chão e indo até a porta.
–Tá, então… Se ver o Steven por ai, você pode o chamar? – Justin parou de andar e suas mãos fecharam em punhos, ainda de costas pra mim.
Assentiu depois de alguns minutos assim e saiu do quarto. Não era pra o deixar com ciúmes ou algo parecido só queria jogar com alguém, odeio ficar em silencio naquele quarto sozinha.
[...]
–Para, assim não vale! – Falei assim que Steven me empurrou para o lado, tentando me atrapalhar no jogo. – Steven, para!
–O que eu to fazendo, alem de ganhar é claro!
Grunhi com raiva e desliguei o vídeo game.
–Não da pra jogar contigo! Você é muito chato, idiota, sem noç…. – Steven me calou com um beijo.
Certo, eu me assustei com sua rapidez no inicio, mas correspondi depois. Passei meus braços em volta de seu pescoço e suas mãos saíram do meus rosto, passando por meu braço e foram até minha cintura segurando firmemente, aprofundando o beijo e dando leves apertões em minha cintura.
–AALYAH!– Me separei rapidamente de Steven e olhei na direção da porta.
Justin nos encarava com uma raiva enorme, e parecia que iria matar Steven. Acho que estamos encrencados.
–O-oi Justin.. – Sorri falsa e Justin grunhiu de raiva.
–No meu escritório. – Falou entre dentes. – Agora!
Assenti rapidamente, e o segui até o escritório. Pensei que iria levar alguma bronca, mas era apenas uma reunião com os meninos. Assim que Justin passou pela porta, ele a fechou com força e praticamente marchou até sua poltrona.
–Eae Aalyah! – Ryan me cumprimentou, seguido dos outros garotos.
Cumprimentei todos com um aceno de mão e me joguei no sofá vazio, agarrando uma almofada e olhando atentamente para todos.
–Certo, eu só queria saber quando vai ser nosso próximo assalto. – Chris falou e todos assentiram.
–Poderíamos assaltar o novo banco que abriu no sul. – Dennis sugeriu.
–Mas.. Acha que tem, bastante coisa lá? – Perguntei um pouco confusa.
–O banco é de confiança, essa é sua terceira sede só aqui!
Assenti começando a me animar com a ideia do assalto. O clima ali não estava muito bom, Justin se continuava calado e não demonstrava entusiasmo nenhum, mantinha seu olhar fixo em mim e poderia jurar que suas mãos continuavam fechadas. Era nessas horas que eu agradecia por todos estarem ali.
–O que acha Justin? – Chaz perguntou, afinal era ele que decidia as coisas por ali.
Justin respirou fundo e finalmente olhou para os garotos.
–Não vamos fazer nenhum assalto, tenho que resolver algumas coisas por aqui. – Murmurou e me olhou de canto.
–Então… – Comecei mas ele me interrompeu.
–Vou apenas cuidar dos carregamentos.
Os garotos assentiram, mesmo achando estranho. Fazíamos assalto praticamente a cada dois meses dependendo do que acontecia depois disso, poucas vezes o Justin preferia cuidar apenas dos carregamentos. Na verdade isso só acontecia quando ele queria ir atrás de alguém que desviava ou deixava de pagar.
Ficamos mais alguns minutos ali conversando enquanto Justin se permanecia calado, e logo depois todos foram embora me deixando sozinha ali com ele. Levantei do sofá para sair dali, mas Justin me chamou.
–Quero que cuide dos carregamentos hoje.
–Mas você disse que…
–Eu disse pra você cuidar dos carregamentos hoje. – Me interrompeu e levantou da poltrona. – Quero que vá comigo até o galpão, e me ajude.
Analisei minha roupa, e Justin negou sorrindo de lado. Eu estava de pijama, uma camiseta solta e um calção um pouco curto e justo, mas pelo jeito teria que ir assim mesmo.
–Posso trocar de roupa? – Perguntei enquanto o segui pra fora do escritório.
–Não, temos tempo.
Bufei e fiquei ao seu lado, indo até a garagem. Havia dois carros novos ali, e por incrível que pareça ainda tinha um grande espaço sobrando.
–Desta vez eu escolho, e sei que você vai gostar.. – Falava enquanto ia até a mesa no canto e procurava a chave no meio de outros papeis e algumas ferramenta. – Vamos com o McLaren.
Mordi o lábio inferior e entrei no carro assim que Justin destravou o alarme. Ele não parecia estar com raiva ou algo do tipo pelo que viu no quarto, mas sei que estava fazendo tudo isso só para me deixar longe de Steven.
–Acho melhor me deixar trocar de roupa. – Murmurei enquanto colocava o cinto e Justin me olhou com uma sobrancelha arqueada.
–Porque deveria?
Arqueei as sobrancelhas e fiquei em silencio. Isso não vai dar certo, alguém vai sair morto nisso tudo, tenho quase certeza disso.
[...]
Desci do carro assim que Justin o parou próximo ao galpão, e o segui até um caminhão parado ali perto. Aquele era apenas o primeiro de vários outros que continham o “melhor pó do Canadá” como Justin falava, os outros chegariam um pouco mais tarde para não levantar muitas suspeitas.
–Tudo certo? – Perguntou para um cara que contava tudo atentamente.
–A quantidade é a combinada. – Murmurou mantendo seus olhos em meu corpo.
Virei o rosto fingindo não ver, e senti Justin me puxar bruscamente para dentro do galpão, que estava mais movimentado do que o normal.
–Sr. Justin. – Outro cara se aproximou da gente e o cumprimentou um pouco receoso, mas mesmo assim seus olhos ficavam fixos em mim. – Querem falar com o senhor.
Justin assentiu e foi até uma sala, me levando junto já que segurava em meu pulso. Ali não havia nada de mais, uma mesa ao centro com varias cadeiras em volta e alguns quadros para enfeitar as paredes. Dois caras estavam sentado ali, e assim que nos viram passando pela porta, ergueram a cabeça e tentaram mostrar que eram superior. Tentaram…
–Não tenho tempo, então vão direto ao assunto. – Justin falou rude e sentou na cadeira de frente para os dois, e eu fiquei em pé ao seu lado.
–Queremos tratar de negócios. – Um deles falou mantendo seus olhos em mim e Justin apenas cruzou os braços. – Sei que faz trafico de armas…
–Qual quer, e quanto. – Justin o interrompeu.
Isso estava me deixando com agonia, odiava ser o “centro das atenções”.
–AK 47, conhece? – O moreno falo e Justin apenas riu debochado.
–Me diz a quantidade e combinamos o valor outro dia.
–Certo mas… Podemos combinar o valor por essa vadia ao seu lado! – O loiro falou fazendo Justin prender a respiração e estufar o peito.
–O que você disse?
–Qual é, vai dizer que não venderia essa gostosa por um bom preço. – O moreno sorriu de lado e me lançou um olhar malicioso.
Justin levantou da cadeira rapidamente e tirou sua arma da cintura, a destravou e acertou dois tiros certeiros no peito do cara. Vivendo desde pequena com isso, mortes, torturas, e alguns gritos e choros, tudo isso se tornava normal pra mim mas não quando EUcausava isso.
O loiro ficou estático no lugar e não teve nem tempo de pensar, Justin acertou um tiro bem no meio de sua testa.
–Justin…
–Vamos embora. – Me interrompeu e segurou em meu braço.
Assim que saímos daquela sala, um caminhão parou próximo a porta e um homem abriu a porta de trás revelando varias caixas com armamento militar. Minha boca se abriu em um “O” perfeito.
Soltei meu braço de Justin e corri até lá, tirando uma das armas de dentro.
–Aalyah, volta aqui! – Justin vinha em minha direção rapidamente.
–Caraca, é uma HK-417? – Perguntei sem prestar atenção no que acontecia ao meu redor.
–É, agora vamos embora!
–Isso é armamento militar! Como conseguiu? – Fiquei olhando para cada detalhe daquela arma e juro que podia ouvir alguns risos atrás de mim.
Se tem outra coisa que eu gosto no meio disso tudo além de carros são as armas.
–Tenho algumas pessoas infiltradas no exercito alemão, agora vamos. – Justin tentou segurar em meu braço mas me afastei rapidamente.
–Essa arma deve ter uns..
–Quatro quilos, agora chega! – Segurou em meu braço e começou a me levar pra fora do galpão.
Parecia que todos que estavam ali, haviam parado para observar a cena. Claro, eu praticamente nunca venho aqui e agora estou saindo com uma arma e de roupa curta.
–Voltem a fazer seus serviços, bando de inútil! – Justin praticamente gritou e andou mais rapidamente até o carro.
Abriu a porta pra mim, me empurrou e deu a volta no carro o ligando e saiu cantando pneus dali. Agora sim poderia se dizer que ele estava com raiva.
Dei de ombros e continuei olhando pra arma em minha mãe, verifiquei se tinha alguma munição mas estava totalmente vazia.
–Tem alguma munição? – Perguntei esperançosa e Justin deu um soco no volante.
–Bando de filho da puta, deveria ter arrancado os olhos daqueles inúteis!
–Aceitaria apenas um não… – Murmurei e abaixei a cabeça ouvindo Justin grunhir de raiva.
–Quem eles pensam que é pra falar assim de você? Ninguém tem esse direito. Ninguém! – Continuava falando sozinho, e seus rosto começava a adquirir a cor vermelha devido a raiva. – E aqueles dois merdas? Deveria ter feitos eles comerem formiga!
Mordi o lábio inferior segurando o riso, e continuei com a cabeça baixa até chegarmos em casa. Justin parou o carro bem em frente a porta, e saiu do mesmo com pressa, sem nem me esperar. Respirei fundo e sai dali, atraindo alguns olhares curiosos dos seguranças que ficaram mais atentos assim que me viram com a arma na mão. Dei de ombros e continuei meu caminho até meu quarto, deixei a arma em cima da cama e segui até meu banheiro. Precisava de um banho urgente!
[...]
Assim que sai do banheiro, fui direto para o closet e coloquei uma roupa qualquer, não tinha planos para fugir e ir para outro lugar.
A casa estava toda em silencio, e isso chegava a ser estranho normalmente sempre tinha alguma TV ligada ou alguma musica tocando, Justin odiava silencio.
Abri a porta do quarto, e consegui ouvir alguns gritos e barulho de coisas quebrando. Corri até a sala, descendo as escadas de dois em dois, e me surpreendi com a cena que presenciava.
–JUSTIN!– Gritei sem saber o que fazer.

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