Corri em sua direção, tentando o fazer largar do pescoço de Steven enquanto acertava vários socos em seu rosto, mas havia me surpreendido com uma coisa. Justin estava chorando enquanto batia nele, eram poucas lágrimas mas ele parecia nem ligar pra isso.
–Justin, para! – O afastei de Steven e olhei em seu rosto. – Qual é o seu problema?
Justin ficou em silencio e partiu pra cima do Steven de novo. Comecei a gritar por ajuda, e um tempo depois Ryan entrou na sala com cara de tédio mas logo correu até os dois e conseguiu imobilizar o Justin.
–QUE PORRA É ESSA?– Ryan gritou e Justin murmurou algumas palavras sem qualquer sentido.
Fui até Steven e o ajudei a levantar do chão. Seu nariz estava sangrando e havia um corte em seu supercílio, nada muito grave.
–NÃO ENCOSTA NESSE MERDA!– Justin gritou e tentou se afastar de Ryan.
–Justin, para com isso!
–Fica quieto Justin! – Ryan murmurou.
Neguei me afastando de Steven e segurei no rosto de Justin com as duas mãos o fazendo parar de se mexer e olhar por cima do meu ombro para Steven.
–Você se drogou… – Sussurrei.
–NÃO SAI DAQUI SEU VIADO!
–Justin para!
–NINGUÉM TOCA NA MINHA AALYAH!
Respirei fundo e puxei seu rosto até o meu, selando nossos lábios. Olhei de canto para Steve e fiz um sinal com a mão, disfarçadamente, para ele sair dali. Quando me afastei, Justin sorriu de lado e Ryan negou.
–O que eu faço? – Perguntei a Ryan.
–Você voltou pra mim? – Justin perguntou enquanto se soltava. – Estamos juntos não é?
Neguei e Justin secou as lágrimas rapidamente.
–Vou levar ele lá pra cima, depois… Sei lá. – Ryan murmurou e começou a o puxar em direção a escada.
Isso só estava se repetindo. Fui até meu quarto e encontrei Steven sentado na cama, sem camisa enquanto colocava a mão sobre o nariz e reclamava de dor.
–Você está bem? – Perguntei e ele assentiu.
–Aalyah, ele me pegou de surpresa. – Murmurou enquanto eu ia até o banheiro pegando a caixa de remédios.
–Porque tá falando isso?
–Porque você vai pensar que eu sou fraco. – Ri abafado e me ajoelhei em sua frente.
–Mas você é fraco. – Steven arqueou uma sobrancelha. – Além de fraco, você também é gay. – Dei de ombros.
Steven negou, puxou meu rosto para próximo do seu e sorriu de lado.
–Vou te mostrar o gay.
Selou nossos lábios em um beijo intenso, enquanto eu levava minhas mãos dentro da sua blusa arranhando seu abdômen.
Steven me pegou no e coloquei minhas pernas em volta a sua cintura sentindo seu membro duro batendo na minha intimidade o que me fez gemer, ele ouviu e fez isso de novo só que agora com mais força.
Suas mãos desceram delicadamente pela minha perna e apertaram minha bunda. Trocamos alguns selinhos enquanto suas mãos agora iam para debaixo da minha blusa soltando meu sutiã que logo caiu no chão.
Fiz o mesmo com sua camisa procurando desabotoar aqueles malditos botões, arrancando um ou dois, tendo a visão mais que perfeita do seu corpo. Ele me olhava de cima a baixo, com um sorriso sedutor em seu rosto senti minhas pernas fraquejarem, ele rapidamente tirou minha blusa e acariciou meus seios quando soltei um gemido baixinho. Agora ambos estávamos nus da cintura para cima.
– Ah…Você gosta disso, é? – Provocou com um sorriso malicioso, massageando meus seios em movimentos circulares.
Envolvi os braços em seu pescoço enquanto novamente íamos em direção a cama, Steven me deitou lentamente olhando em meus olhos e tomando meus lábios. Comecei a retirar meu short e o joguei para qualquer lugar, em questão de segundos apenas as roupas íntimas ainda separavam nossos corpos, minha respiração estava completamente descompassada. Mordi o lóbulo de sua orelha passando a mão por seu abdômen definido e arranhando levemente, Steven segurou meus pulsos me prendendo na cama e ficando por cima de mim, passei a língua nos lábios rindo.
– E você também adora provocar, não é mesmo?
– Aham – Respondi imediatamente, sem fôlego.
Steven sorriu procurando desesperadamente pelos meus lábios, sua língua nem sequer pediu passagem, apenas invadiu minha boca num beijo voraz e inesperado, enterrei meus dedos em seus cabelos quando ele desceu distribuindo beijos pelo meu corpo, queixo, pescoço, ombro… Deixando a sensação de que um rastro de fogo passou por mim, seus lábios chegaram ao meu seio mordiscando e chupando, proporcionando uma sensação indescritível naquele momento, ele desceu ainda mais pela minha barriga chegando a barra da minha calcinha, e voltando a olhar para mim, podia sentir seu membro rígido dentro da cueca me fazer ficar com tesão.
Steven deslizou minha calcinha pelas minhas pernas e passou a mão pela minha intimidade, agora eu estava nua, a sua disposição, ele mordeu o lábio olhando-me de cima a baixo, era incrível como seu olhar tinha aquele efeito sobre mim, mas cada detalhe dele era sedutor e provocava o meu corpo, desde seu mais simples sorriso até seu beijo mais intenso, retirei sua cueca, agora ambos estávamos nus.
Deitei novamente na cama olhando em seus olhos, ele ficou por cima de mim, fechei os olhos sentindo Steven me penetrar devagar enquanto eu agarrava o lençol à medida que ele introduzia seu membro ainda mais fundo. Sentia uma dor aguda, não podia gritar, e aquilo no início realmente era doloroso, mas de eu gritasse chamaria a atenção, então apenas gemia e agarrava o lençol da cama. Mas no final das contas, eu me pegava gemendo alto e gritando seu nome, e ele gostava disso. Steven aumentava o ritmo e fazia movimentos de vai e vem, cada vez mais fortes e mais fundo. Era impossível não gemer, delirar, manter os olhos abertos, eu arranhava suas costas forte enquanto ele dava vários chupões no meu pescoço deixando marcas.
Minha respiração era ofegante assim como a dele, Steven deu outras três estocadas quando meu corpo parecia explodir, nos beijávamos com a intenção de abafar os gemidos que soltávamos com mais intensidade, ele massageava meus seios.
Eu agarrava o lençol e arranhava suas costas quando algo quente escorreu pelas minhas pernas, cheguei ao ápice. Steven ainda entocava forte procurando se satisfazer e não demorou muito, gradualmente foi diminuindo o ritmo dos seus movimentos até parar. Ele tombou ao meu lado, cobrimos nossos corpos com o lençol. Virei para Steven olhando em seus olhos, recuperando meu fôlego, incrédula.
Ele colocou a mão na minha bochecha vermelha a acariciando, sorri envergonhada. Depois disso, não havia como duvidar da sua sexualidade.
[...]
Fui até o quarto de Justin o encontrando dormindo, e me sentei na cama ao seu lado. Sua cara de anjo consegui enganar qualquer um que não o conhecesse.
Fiquei mexendo em seu cabelo e depois de um tempo o ouvir gemer baixo.
–Bom dia! – Falei tirando minha mão de seu cabelo.
–Não, ainda to dormindo. – Segurou em minha mão, ainda de olhos fechados, e a levou até sua cabeça. – Continue…
Ri abafado e continuei com o carinho. Justin respirou fundo e finalmente abriu os olhos, olhando atentamente para os meus. Continuamos em silencio até Justin afastar os fios de cabelo que caiam em meu rosto, e o colocar atrás da minha orelha.
–O que é isso no seu pescoço? – Sentou na cama e me puxou para perto.
–Não é nada! – Respondi rápido e tentei me levantar mas ele me segurou.
–Isso é um chupão? – Levantei da cama e fui para perto da mesa que havia ali.
Teria que fugir do assunto caso quisesse sair daqui viva.
–Porque você não para de se drogar? – Perguntei pegando um saquinho com pó que estava ali em cima.
–Não muda de assusto. – Levantou da cama e caminhou até o meu lado.
–Se você não parar eu… – Olhei para os lados pensando em algo e Justin sorriu de lado.
–Você não vai fazer nada. – Cruzou os braços me fazendo sorrir debochada.
–Se você não parar de se drogar, EU vou voltar a fazer o mesmo.
–Você não faria isso…
Arqueei uma sobrancelha e joguei toda a droga que havia dentro daquele pacote, na mesa. Peguei um cartão que estava ali do lado e arrumei em carreirinhas.
–Aalyah… – Tentou chamar minha atenção.
Dei de ombros e inalei a primeira carreirinha, deixando minha cabeça pender pra trás assim que terminei. Como eu sentia falta dessa sensação.
Comecei a rir e encarei Justin que parecia estático.
–Ainda duvida?
–PARA CARALHO! EU DESISTO DE VOCÊ!– Gritou extasiado e jogou a droga no chão.– FAÇA A MERDA QUE QUISER, EU NÃO VOU MAIS CORRER ATRAS DE VOCÊ! DESISTO!
Justin saiu do quarto batendo a porta. Respirei fundo e a sentir minha cabeça começar a rodar, peguei outro pacotinho que tinha ali, e fui para meu quarto o deixando em cima da cama. Vamos ver se ele não se importa.
Sai do quarto novamente, e fui até o frigobar que havia na sala. Peguei três garrafas de vodca e voltei para meu quarto, deixando tudo em cima da cama.
Peguei uma das garrafas e tomei um longo gole, sentindo o liquido queimar em minha garganta. A única coisa que faltava agora era meus amigos para me acompanhar nisso.
Tranquei a porta, dei mais um gole na bebida em minha mão, e peguei o pacote da cama jogando toda a droga em cima da mesa. Procurei algum cartão pelo quarto e assim que achei, arrumei aquele pó em carreirinhas e inalei, sentindo meu nariz arder mas dei de ombros e inalei a outra carreirinha. Peguei a garrafa novamente e tomei o resto do liquido que havia ali dentro.
O meu único problema era começar com isso, e conseguir para apenas quando alguém aparecer, mas não me importava com isso.
Levantei da cadeira e andei até a cama um pouco tonta, peguei a garrafa que estava ali em cima abri e tomei praticamente a metade do liquido incolor. Era apenas disso que eu precisava, uma boa vodca e algumas carreirinhas pra me deixar mais leve. Eram anos sem isso, sendo jogados fora em menos de duas horas.
Assim que a droga acabou, liguei a caixa de som praticamente no ultimo e comecei a cantarolar a musica que tocava. Precisava de mais.
Tirei uma caixa de sapatos de baixo da cama, e abri. Aquele era meu pequeno esconderijo, depois de muitos anos guardando tudo aquilo, finalmente iria usar. Peguei um maço de cigarro e acendi um, levando diretamente a minha boca.
Sentia meu corpo ficando cada vez mais lento, e não consegui racionar direito. Meus pensamentos estavam direcionados a beber cada vez mais, e procurar por mais droga. Meu corpo necessitava disso.
Soltei a fumaça que estava na minha boca e tomei mais um longo gole da vodca. Deixei a garrafa no chão, e levantei com certa dificuldade já que começava a ver tudo rodando junto com meu estomago.
Sai do quarto procurando por mais droga e vodca, mas acabei tendo que parar na metade do caminho e me apoiar na parede ao meu lado. Minha visão começava a rodar, e sentia meu estomago revirando a cada passo que dava.
Não demorou muito e acabei colocando tudo pra fora, e tinha quase certeza que estava perto do quarto do Justin.
–Merda… – Murmurei assim que ouvi a porta abrir.
–O que… Puta que pariu Aalyah, tinha que fazer isso justo aqui? – Ri debochada e voltei a andar com um pouco de dificuldade.
Assim que encostei a mão na porta do escritório, Justin segurou em meu braço e me fez olhar seus olhos.
–O que você tá fazendo?
Puxei meu braço bruscamente e abri a porta sem me importar com seus gritos contra.
–PARA CARAMBA! CALA A BOCA!– Gritei colocando as mãos sobre meu ouvido. - ME DEIXA EM PAZ!
–Aalyah…
–SAI DAQUI! VOCÊ NÃO DISSE QUE IRIA DESISTIR DE MIM?
Justin ficou estático no mesmo lugar, e eu fui até a mesa do centro procurando por mais droga. Achei alguns pacotes dentro da gaveta, e arrumei em varias carreirinhas ali mesmo.
–AALYAH!– Me puxou para longe da mesa e segurou com as duas mãos em meu rosto. -PARA COM ISSO!
Me afastei bruscamente e o empurrei para o lado.
–Você desistiu de mim, não se importa se eu continuar. – Me aproximei da mesa novamente e inalei a primeira carreirinha. – Porque não me deixa aqui, e vai procurar alguma vadia iludida?
Justin negou e me deixou sozinha ali, batendo a porta assim que saiu. Respirei fundo e senti todo meu corpo começar a suar.
Fechei os olhos com força e aos poucos senti meu corpo ficando mais mole, e meus sentidos ficaram cada vez mais lento. Meu corpo caiu no chão, e então… Simplesmente apaguei.
Acordei devido ao susto ao ouvir a porta do quarto ser fechada com força.
–Desculpa, não queria te acordar. – Aparecida falou seca, abrindo as cortinas.
Respirei fundo sentido minha cabeça rodar, começando a latejar.
–O que.. O que aconteceu? – Perguntei rouca.
–Seu tio te encontrou no escritório, desmaiada. – Aparecida se recusava a olhar pra mim, e continuava a andar pelo quarto a procura de alguma roupa suja.
–Porque não olha pra mim?
–Acreditava que você nunca mais iria voltar a fazer isso. – Negou e pegou o cesto com as roupas do chão. – Porque você voltou a se drogar Aalyah?
Engoli seco e senti uma enorme falta de algo em meu corpo. Não poderia estar me viciando, me lembro totalmente do que aconteceu da ultima vez, não quero que se repita.
Mas meu corpo parecia reagir contrario aos meus pensamentos.
Levantei rapidamente da cama e corri para o banheiro. Precisava esquecer essa vontade de me drogar.
Me despi e praticamente corri para de baixo do chuveiro, tentando evitar pensar no que eu fiz. Demorei para sair dali, enrolei a toalha em meu corpo e me olhei no espelho.
Meu rosto estava completamente pálido e meus lábios levemente roxos. Meus olhos estavam escuros com um vermelhão em volta. Eu estava péssima.
Peguei a caixa de maquiagem que estava ali do lado e tentei deixar meu olho completamente escuro. Costumava usar maquiagem escura antes, mas…
Respirei fundo e me olhei no espelho novamente. Meu corpo parecia reagir completamente ao contrario do que meu pensamento mandava. Coloquei minha roupa rapidamente e sai pra fora do banheiro.
Estava com uma camiseta e um tênis preto e uma calça cinza. Arrumei meu cabelo e fui direto para o escritório de Justin, ignorando o fato dele estar mexendo no cofre ao lado da mesa. Procurei pelas gavetas alguma pacote mas não encontrei nada, a não ser uma seringa e um elástico.
–Não faça isso. – Ouvi Justin dizer.
Fingi não ter escutado e peguei a seringa, que por incrível que pareça, ainda estava cheia de heroína. Sentei no chão e amarrei o elástico em meu braço, procurando por alguma veia.
–Vai em frente, se vicie novamente. – Deu de ombros e começou a andar em direção a porta. – Sabe o que aconteceu da ultima vez, e também… Eu desisti de você não é?
Saiu do escritório e foi nessa hora que coloquei a seringa em meu braço, sentindo uma dor incômoda no começo mas logo meu corpo relaxou e algumas lagrimas começaram a rolar por meu rosto.
Inseri todo o liquido que estava ali dentro e joguei a seringa longe assim que terminei. Fechei os olhos com força e assim que os abri novamente, Justin estava em minha frente dando inicio a uma sequencia de ilusões.
–Você precisa de ajuda? – Perguntou e riu irônico. – Claro que precisa, afinal… Você é uma vadia.
Neguei e senti as lagrimas se multiplicarem. Tentei me levantar mas parecia que alguém segurava meu corpo, me impedindo de fazer qualquer movimento.
Justin deu alguns passos em minha direção e arqueou as sobrancelhas.
–Continue se drogando, vai lá! – Riu debochado. – Se você morrer, eu vou poder viver em paz com as minhas vadias, não vou precisar me importar com a filha idiota que eu tenho.
–PARA, CALA A BOCA!– Gritei e coloquei as mãos sobre o ouvido. - ME DEIXA EM PAZ!
–Você é uma vadia! Não merece meu sobrenome!
–SAI DAQUI!– Gritei e abracei minhas pernas, soluçando alto. - ME DEIXA! Me deixa…
Solucei novamente e fechei meu olhos com força, tentando fazer aquilo parar.
–Claro que te deixo, cansei de você… Preciso de novas vadias nessa casa!
–SOME DAQUI CARAMBA, ME DEIXA EM PAZ!– Ouvi um barulho de porta se fechando mas não me importei em procurar aonde era. - E-EU NÃO QUERO CONTINUAR!
–Aalyah! – Neguei e fechei meus olhos com mais força.
–SAI DE PERTO DE MIM!– Solucei novamente e senti meu corpo ser puxado com força, me levantando do chão mas mantive meus olhos fechados.
–Olha pra mim… – Neguei e solucei novamente. – Olha pra mim caramba!
Abri os olhos lentamente e mordi o lábio inferior assim que encarei meu tio Ryan em minha frente. O abracei rapidamente, por medo daquilo ser só mais uma ilusão e as lagrimas pareciam se multiplicar.
–Me… Me ajuda… – Murmurei entre soluços. – E-eu não quero.. Continuar..
–Calma pequena… Calma! – Neguei. – Seu pai quer falar com você.
–NÃO! Por favor, n-não! – Me afastei meio tonta e quase cai. – Ele.. Ele vai me xingar! Eu não quero mais ver ele, tio! – Solucei alto e coloquei a mão na boca, tentando parar de chorar.
Ryan respirou fundo, olhou para a porta por alguns segundos, mas logo assentiu e me pegou no colo. Escondi meu rosto em sua camisa e fechei os olhos novamente. Mesmo depois disso, meu corpo parecia querer mais. Ele necessitava por mais.
E era isso o que eu iria fazer.
Justin P.O.V
Aquilo só poderia ser um pesadelo. Não queria passar por isso novamente, a primeira e UNICA vez que Aalyah ficou assim, ela acabou parando em um hospital com overdose. Levei a maior bronca do minha mãe, e ainda tive que passar noite e dia naquele hospital obrigado pelo meu pai. E ainda depois disso tudo, ela acabou parando em uma clinica mas não ficou lá nem duas semanas.
Depois de ouvir vários gritos seus, eu juro que tentei não me importar mas parecia que aquilo era tudo por minha culpa. Fui até a porta do escritório, depois de ter tido uma breve discussão com Ryan sobre Aalyah, e fiquei apenas olhando ele cuidar da minha pequena. Aquele deveria ser MEU trabalho.
Assim que ele a levou para o quarto, fui até o escritório e observei aquele local. Estava tudo bagunçado, folhas jogadas no chão, as gavetas reviradas e seringas jogadas no chão. Certo que metade daquela bagunça era minha, mas a outra parte… Eu poderia ter evitado que Aalyah fizesse.
–Satisfeito? – Ryan praticamente gritou indo em minha direção. – Feliz por ver sua filha se viciando novamente?
–Ryan…
–Você deveria cuidar dela!
–Eu sei caramba! – Passei as mãos pelo cabelo. – Eu não sei o que fazer!
–Aposto que ela deve estar se drogando agora, você que incentivou ela a isso!
–E O QUE VOCÊ QUER QUE EU FAÇA? QUE TIRE TUDO AS DROGAS DAQUI?– Gritei e derrubei todos os objetos que estavam na mesa. - EU NÃO POSSO FAZER NADA!
–A UNICA COISA QUE VOCÊ PODE FAZER AGORA, É ATRAS DELA E IMPEDIR QUE ELA ACABE TENDO UMA OVERDOSE!– Respirou fundo. – E desta vez ela pode acabar morrendo.
Neguei e fui até o quarto de Aalyah rápido. Só queria impedir que a minha menina acabe se viciando novamente.
Tentei abrir a porta mas ela estava trancada, e não conseguia ouvir qualquer som emitido lá dentro.
–Aalyah! – Chamei e bati na porta mas não obteve resposta. – Abre aqui!
Esperei alguns segundos ali mas parecia que não tinha ninguém ali e isso já estava me deixando mais angustiado. Bati novamente na porta mas a única coisa que recebi em troca foi o silencio. Me afastei um pouco e a arrombei, entrando no quarto logo que ela caiu.
–Merda, Aalyah! – Corri em sua direção e a puxei contra meu corpo.
Aalyah estava se drogando com heroína e parecia ter fumado também, seu corpo estava mole ela estava praticamente desmaiada já. Havia algumas garrafas vazias jogadas no chão, algumas quebradas e outras ainda com a metade. Isso não era uma boa combinação.
–O que você fez sua doida? – Peguei seu corpo mole em meus braços e sai do quarto. Pediria para alguém arrumar aquela bagunça depois.
A levei até a garagem e a coloquei no primeiro carro que encontrei. Antes de conseguir dar a partida, Ryan me puxou e disse que iria dirigir enquanto eu ia no banco traseiro cuidando de Aalyah. Fomos durante todo o caminho em silencio, o único som que se escutava era das buzinas do carro que Ryan ultrapassava.
Coloquei a cabeça de Aalyah em meu colo e comecei a fazer um leve carinho em seus cabelos. Seus lábios começaram a tremer e seus braços começaram a ficar inquietos enquanto murmurava palavras sem sentido. Seu corpo já parecia sentir a falta da droga, mesmo sendo por poucos minutos sem injetar nada. Esse era um dos pesadelos que eu não queria reviver.
–Ei, calma.. – Sussurrei e senti seu corpo ficar tenso. – Eu estou aqui, olha pra mim Aalyah.
Aalyah olhou em meus olhos e respirou fundo. Sorri fraco e ela tentou retribuir ainda com os lábios trêmulos. Aquele não parecia ser eu. Jamais agi dessa forma, sem gritar com ninguém ou ameaçar. Não, depois do que aconteceu e eu acabei sendo o corno iludido de toda a historia.
–E-eu.. P-preciso… – Começou a falar com dificuldade mas a interrompi.
–Shiu! Você não precisa disso! – Beijei sua testa e olhei para a janela assim que o carro parou. – Eu vou te ajudar, ok?
A ajeitei em meu colo e sai do carro, andando rapidamente pra dentro do hospital. Ryan foi na frente a procura de algum medico, e logo vieram um bando de enfermeiros com uma maca. A coloquei deitada ali e fiquei ao seu lado segurando sua mão.
–Desculpa, mas o senhor não pode entrar!
–ELA É MINHA FILHA, EU TENHO QUE A AJUDAR!
–Senhor, desculpe mas não é permitido. – Antes que eu tivesse a chance de tirar minha arma da cintura, Ryan me tirou dali e me empurrou até a sala de espera.
Odiava ficar parado esperando por alguma noticia, mas Ryan não me deixava sair dali e ameaçar alguém. Só queria alguma noticia da minha pequena.
Isso foi gay.
–Cara relaxa, ela está bem!
–Relaxa? Minha filha tá dentro daquela merda e ninguém me deixa entra e você me pede pra ter calma? – Puxei meu cabelo com uma das mãos e aquele filho da puta riu.
–Como você consegue chamar ela de filha bro? – O encarei com tédio. – Serio, ela é boa na cama? – Sorriu malicioso.
–VAI SE FODER, FILHO DA PUTA!– Gritei e uma enfermeira me pediu para ficar quieto mas apenas lhe mostrei o dedo do meio.
–Você precisa foder alguém. – Deu de ombros e cruzou os braços. – Tá a quanto tempo sem pegar uma vadia ou a.. Aalyah? – Sorriu malicioso.
Antes que eu pudesse falar algo, um médio apareceu e chamou pelos responsaveis da Aalyah, fazendo Ryan ficar em pé ao meu lado.
–Como ela está? – Perguntei rapidamente.
–Ela está bem, conseguimos reduzir a quantidade de drogas que ela injeriu e seu corpo parece reagir bem. – Respirei fundo e assenti. – Mas ela ainda ira sentir falta dessa substancia, então acho melhor o senhor a colocar em uma…
–Não! – O interrompi e neguei. – Não vou a colocar naquele fim de mundo de novo!
–Conseguimos cuidar dela! – Ryan falou ao medico que nos olhou desconfiado.
–Tem certeza que conseguem? – Assenti. – Ok, podem ir até o quarto dela.
Essa era a hora que eu voltava pra casa e fingia que nada havia acontecido. Mas não dessa vez.
Fui até a porta do quarto em que Aalyah estava e antes de entrar, dei dois toques ouvindo um “entra” baixo e um pouco tremulo. Ela estava mais pálida parecia estar morrendo aos poucos, mas eu sabia que aquilo só iria piorar.
–Oi… – Cocei a nuca um pouco nervoso e a ouvi rir abafado.
–Desculpa por… Isso. – Murmurou baixo e encarou o chão.
A situação só iria piorar daqui pra frente.
–Porque fez isso? – Perguntei indo até ao seu lado.
–No começo era apenas para ver o que você iria fazer, mas depois… – Mordeu o lábio inferior.
–Não precisava fazer isso…
–Mas você vive se drogando e depois começa a inventar coisas sobre mim… – Seu tom de voz aumentava. – Você vivia me trancando no quarto, não me deixava sair porque falava que eu era…. Sua. – Sussurrou a ultima palavra e suspirou negando.
–Eu vou mudar. Eu mudo por você… – Segurei em sua mão e a apertei de leve. – Eu paro de me drogar.
Aalyah trincou o maxilar e seus lábios tremeram. Ela teria que ser forte agora, teria que conseguir superar a enorme vontade de se drogar novamente e esquecer o que havia conseguido. E nesse tempo, eu tentaria conseguir sua confiança de volta.
Aalyah P.O.V
Justin ficou mais alguns minutos ao meu lado e saiu do quarto assim que Ryan o chamou, parecendo um pouco aflito. Ficar sozinha naquele quarto branco sem vida, era um tédio. Nem meu celular tinham me entregado…
–Temos que sair daqui! – Justin falou assim que voltou ao quarto.
–Aconteceu alguma coisa? – Perguntei confusa.
Justin respirou fundo e me pegou no colo.
–Estão atrás da gente. – Murmurou sem dar muita atenção aos enfermeiros que tentavam o impedir de me tirar do quarto. – Parece que a mente por trás do Piero quer conversar. – Riu abafado.
Respirei fundo e segurei em sua camisa, tentando esquecer aquele numero absurdo de seguranças atrás de nos. Assim que passamos pela porta, os seguranças se afastaram um pouco, deixando Justin ir até o carro sem precisar xingar alguém.
–E aê pequena Aalyah! – Ryan me cumprimentou assim que Justin fechou a porta do carro e me puxou para seu colo.
Tentei me afastar por medo da reação do Ryan, mas Justin negou e me apertou contra seu corpo.
–Ele não se importa.. – Sussurrou próximo ao meu ouvido e mordeu meu pescoço.
–Eu ainda estou no carro sabe. – Ryan falou debochado.
–Só dirige e fica quieto!
–É falta de sexo mesmo! Porra Aalyah, como pode deixar ele tão necessitado assim? – Mordi o lábio inferior devido a vergonha e fiquei olhando a janela.
–Se quiser podemos parar em um beco e eu me alivio com você, Ryan. – Justin falou tentando fazer uma voz sexy enquanto sorria de lado e não teve como segurar a risada.
–To falando, ta virando até gay! – Justin fechou a cara e deu um tapa na cabeça dele.
–Admiro o amor de você dois.. – Falei depois de respirar fundo. – Mas, qual de vocês fica por baixo?
Ryan freou o carro bruscamente e Justin me encarou incrédulo. Isso estava muito engraçado!
–Que foi? – Perguntei fazendo cara de inocente e Ryan voltou a dirigir.
–Vou te mostrar quem fica por baixo. – Justin murmurou ainda serio.
–O que…
Antes que eu pudesse terminar a frase, Justin conseguiu me fazer deitar no banco com seu corpo por cima do meu, e seu rosto ficou a centímetros do meu.
–O que você vai fazer? – Perguntei tensa.
Justin riu abafado e começou a fazer cócegas por todo meu corpo, me fazendo rir alto enquanto tentava me afastar e Justin me segurava novamente enquanto dava risada junto. Cenas como essas eram raras vindas de Justin, normalmente ele só pensa em sexo e no seu império mas parecia que ele estava mudando. Pouco mas estava.
–Para… Justin!
–Diz que me ama! – Falou sem parar de me fazer cócegas.
–N-não! – Justin sorriu malicioso.
–Então eu vou continuar… – Respirei fundo e neguei voltando a rir logo em seguida.
–Minha… Minha barriga! – Justin se afastou um pouco e parou.
–Fala! – Respirei fundo.
–Ok… Eu te amo, satisfeito? – Sorri de lado e Justin sorriu abertamente. Como eu sentia falta de seus sorrisos verdadeiros…
–Com certeza, é bom saber que mais uma mulher me ama! – Sentou direito no banco e eu o encarei incrédula.
Sentei ao seu lado, um pouco afastada, e cruzei os braços fazendo bico. Ryan apenas dava risada da cena, enquanto Justin parecia se sentir feliz com o que eu havia dito.
Justin me abraçou de lado e beijou meu pescoço, me causando um leve arrepiou.
–Sabe que dizer isso, pra mim, é difícil não saber? – Sussurrou próximo ao meu ouvido e eu assenti. – Desculpa bebê.
Justin tirou o celular do bolso e mandou uma mensagem rápida, talvez não tenha feito uma ligação para não me deixar ouvir.
Respirei fundo e apoiei minha cabeça em seu ombro e fomos assim até chegarmos em casa. Saímos do carro e fomos andando um pouco afastado um do outro, porque Pattie provavelmente estaria nos esperando na sala, preocupada.
–Aalyah, porque fez isso? – Pattie perguntou depois de encerrar o abraço.
Sorri falsa e encarei o chão. Tinha quase certeza que iria levar uma bronca e perderia alguma coisa pelo que eu fiz. Sem contar, na bronca que Justin ia levar de Jeremy.
–Foi por algo que seu pai fez? – Neguei rapidamente e encarei Justin que olhava tudo atentamente. – Então…
–Foi porque eu… Meio que senti falta disso. – Falei um pouco envergonhada.
Pattie respirou fundo e começou o seu digno discurso de avó. Eu apenas assentia a tudo que ela falava e Justin tentava não dar risada, enquanto dizia apenas algumas palavras tentando ajudar Pattie.
–Ok, eu não vou… Mais fazer isso! – Falei por fim e ela sorriu fraco.
–Não vale apena Aalyah, isso não vai te levar a lugar nenhum.. – Colocou o cabelo que caia em meu rosto, atrás da orelha e sorriu materna.
Sabia que o que ela havia dito não havia sido apenas para mim, mas também tinha sido uma GRANDE indireta para Justin. E acho que ele entendeu isso também.
–Bom, vou voltar pra casa. – Pattie foi até o sofá pegando sua bolsa. – Preciso cuidar da Jazzy e do Jaxon, eles dão muito trabalho… – Ri abafado e ela me acompanhou. – Pense bem antes de ter filhos viu Aalyah!
Fingi não ter ouvido a ultima parte e fui até a cozinha procurar algo para comer. Essas coisas me deixavam com uma vergonha absurda!
–Oi Marie, como vai a nova vida de faxineira? – Perguntei enquanto sentava no balcão.
–Cala a boca! – Murmurou sem tirar atenção da panela em sua frente.
–Relaxa, pode deixar que eu cuido do seu ex-namorado.. Ou noivo, sei lá o que vocês eram! – Dei de ombros.
Acho que isso só fez sua raiva aumentar já que ela pegou uma faca de cima da mesa, mas a largou assim que viu Justin entrando na cozinha e vindo em minha direção.
–Falando em cuidar, não acha que poderia me ajudar a relaxar lá no quarto? – Perguntou malicioso segurando em minhas coxas.
–Desculpa mas não. – Saltei do balcão e beijei sua bochecha antes de me afastar. – Acabei de chegar do hospital e..
Parei de falar sentindo meu corpo ficar tenso e meus pensamentos foram todos direcionados para uma coisa. Uma única coisa na qual eu não poderia correr atrás agora, mas era de extrema necessidade para meu corpo.
–Aalyah… – Senti meu rosto se virado um pouco rápido, e as duas mãos de Justin o seguraram firme. – Ally, olha pra mim.
Olhei em seus olhos e me senti um pouco mais leve.
–Você não precisa disso, ok? Eu não vou te deixar perto daquela merda de novo! – Justin parecia estar um pouco aflito com o que acontecia, mas sua expressão logo suavizou assim que viu um sorriso aparecer em meu rosto. – Não faz isso, você me assustou!
–Desculpa, mas… – Parei de falar assim que olhei para Marie que me encarava debochada.
Justin se afastou e foi andando rapidamente em sua direção, mas Marie continuava com o sorriso debochado no rosto.
–Sempre desconfiei que ela era viciada… – Deu risada e Justin levou uma das mãos ao seu pescoço. – Qual é, não tem como negar o pai que tem!
Justin sussurrou algo próximo ao seu rosto e só então sua expressão foi de debochada para medo. Muito medo. Depois de um tempo ainda falando com ela, sem me deixar ouvir, ele a largou no chão e voltou em minha direção.
–Vem. – Falou simples e segurou em minha mão, me levando em direção ao quarto.
Era estranho pensar que eu deveria estar em uma clinica agora e não em seu quarto. A primeira vez que isso aconteceu, Justin nem se quer pensou em recusar de me levarem para aquele fim de mundo, cheio de idiotas que choravam dia e noite em busca de drogas, e alguns chegavam até a se suicidar. Mas aquilo não chegava nem perto do galpão onde Justin torturava as pessoas.
–Você está bem? – Perguntou assim que fechou a porta e eu assenti.
–Porque está agindo assim?
–Eu prometi mudar. – Deu de ombros e passou os braços em volta da minha cintura. – Estou tentando conseguir sua confiança de novo. Estou conseguindo?
Ergui os ombros sorrindo fraco e me afastei. Tirei o tênis que usava e me joguei em sua cama. Precisava descansar um pouco depois disso tudo.
–Posso deitar com você? – Perguntou um pouco baixo.
–A cama é sua, não é? – Justin riu abafado e assentiu.
Depois de tirar sua camisa e seu tênis,deitou ao meu lado e me puxou para mais perto, deixando minha cabeça em seu peito.
–Descansa, mais tarde eu te acordo para jantar. – Murmurou.
Sua mão começou a fazer um leve carinho em meu braço passava os dedos levemente quase sem tocar em minha pele, causando uma sensação relaxante. Depois de um tempo em silencio, meus olhos começaram a pesar e acabei dormindo abraçada a Justin.
Flashback On
–O que você tá fazendo? – Justin perguntou assim que viu sua filha em um canto da casa, um pouco escondida.
Aalyah já tinha doze anos. Sua mãe havia morrido, era isso que ela achava, e seu pai… Bom, seu pai mudou completamente. Aquele pai carinhoso e amável, se tornou um criminoso rude e frio nem se importava com o que a filha fazia ou deixava de fazer.
–Brincando! – A pequena respondeu rápido e escondeu o que segurava em uma das mãos.
–O que você escondeu ai? – Puxou a mão da filha e se surpreendeu com o que via. Mas ao contrario do que deveria ser feito, ele sorriu de lado e se sentiu orgulhoso. – Você está se drogando?
–N-não! E-eu… Eu..
Justin riu abafado e negou. Ele deveria ter a feito parar com aquilo mas apenas a ensinou como se drogava. Aquele fui um dos seus maiores erros.
Depois daquele dia, Aalyah começou a se drogar com frequência enquanto seu pai nem sequer ligava para o que acontecia, apenas saia de casa cedo e voltava apenas a noite ao lado de uma ou duas vadias. A pequena se sentia pior em ver seu pai a ignorando daquele jeito, chegava a ficar o dia inteiro trancada no quarto apenas se drogando. Mas em um desses dias, acabou exagerando na quantidade e só então seu pai percebeu o que havia feito…
–Pai, aonde você está indo?
–Não é da sua conta, volta a brincar e me deixa em paz! – Justin disse rude e saiu de casa. Para Aalyah, aquilo havia sido como uma facada no peito.
Esperou seu pai sair com o carro, e assim que teve certeza que ele não voltaria mais, correu até o seu quarto e inalou algumas carreirinhas. Mas ela queria mais, seu corpo parecia pedir por mais.
Foi até o escritório de Justin, um pouco cambaleante, e procurou por mais droga. Achou dois pacotinhos em uma gaveta na mesa, arrumou em carreirinhas e inalou. Agora sim seu corpo parecia satisfeito, mas não contava com o que iria acontecer.
Começou a sentir tudo rodar em sua volta junto com seu estomago e sentia sua vista começar a embasar. Seu corpo caiu no chão, e seus lábios começaram a tremer enquanto uma espécie de espuma branca escorria por eles. Não conseguia gritar ou chamar por ajuda, mal sabia o porque daquilo estar acontecendo e não deveria ter ninguém em casa a não ser os inúteis dos seguranças.
–AALYAH! CARALHO!– Seu pai gritou assim que entrou no escritório, correndo em direção a sua filha. - O QUE VOCÊ FEZ?
Pegou o corpo da filha no colo e correu pra fora dali, ignorando todos os olhares curiosos, e foi direto para a garagem. Pegou o primeiro carro que viu, e saiu em alta velocidade até o hospital. Tentava não pensar o pior, mas isso chegava a ser quase impossível olhando o estado da filha no banco de trás.
Parou o carro sem jeito, perto do hospital e saiu do mesmo com a pequena no colo, a procura de algum médico que o ajudasse. Jamais se imaginou passando por isso, e sentir o corpo da filha amolecendo em seu braços só o fazia se sentir pior. Culpado.
–SERA QUE DÁ PRA AJUDAR AQUI CARALHO?– Gritou e alguns segundos depois varias enfermeiras apareceram e o ajudaram a colocar Aalyah em uma maca.
Tentou entrar junto naquele corredor imenso, mas alguns seguranças o impediram – depois de muito trabalho – e acabou indo para a sala de espera, atraindo os olhares de quem estava por ali. Não conseguia se importa com os olhares curiosos, estava aflito demais para isso.
–JUSTIN!– Ouviu o grito de sua mãe seguido de um abraço e um olhar de desgosto vindo de Jeremy. – O que aconteceu?
–A-a Aalyah… – Respirou fundo e negou. – Encontrei a Aalyah passando mal no escritório e até agora ESSE BANDO DE INCOPETENTE NÃO ME DEU NOTICIA!
–Co-como assim ela passou mal? – Pattie começava a se desesperar. – Justin, o que aconteceu com ela?
–Ela… – Mordeu o lábio inferior e engoliu seco. Não queria contar a verdade para os dois em sua frente e acabar se sentindo pior ainda com o que eles iriam lhe dizer. – Ela se… Drogou.
–SE DROGOU? VOCÊ… JUSTIN, VOCÊ…– Pattie negou respirando fundo e saiu dali, indo para fora do hospital. Justin sabia que ela estava nervosa pelo que aconteceu.
Mas o pior era ter que encarar Jeremy a sua frente e tentar não demonstrar emoção alguma com as palavras que ele iria dizer.
–Foi você, não foi? – Justin o olhou confuso e Jeremy apenas riu debochado. – Claro que foi, não consegue cuidar da própria filha depois do que aconteceu! Depois ainda tem aCORAGEM de dizer que saber cuidar dela!
–Eu não..
–Não quero saber! – Começava a aumentar o tom de voz, e agora era inevitável os olhares em cima dos dois. – Você disse que NUNCA iria deixar ela se drogar porque não queria que ela se viciasse como você, e depois que a Allison vai embora você simplesmente não se importa?
–EU ME IMPORTO CARALHO! A AALYAH É TUDO PRA MIM, EU NÃO POSSO PERDER ELA!– Gritou e fechou as mãos em punhos se controlando para não partir pra cima do seu pai. – ELA É MINHA PEQUENA, É A UNICA COISA QUE EU TENHO CERTEZA QUE SERÁ MINHA PRA SEMPRE!
–ENTÃO CUIDE DELA, PORQUE SE CONTINUAR ASSIM EU VOU ACABAR PEDINDO A GUARDA DELA PRA MIM!– Aquelas palavras fizeram Justin ficar estático em seu lugar e perceber o que estava fazendo. Provavelmente, se perdesse sua filha, iria ficar trancado no quarto tentando acabar com a sua vida de algum jeito, ela era a única pessoa que lhe restava, a única que conseguia lhe arrancar sorrisos bobos e a única que poderia ficar o dia inteiro com ele que não reclamava. Ela era a única pessoa da família que não havia lhe virado as costas.
Só se deu conta do tempo que ficou parado, perdido em seus pensamentos, quando um medico apareceu para dar noticias sobre a filha.
–Como ela está? – Perguntou rápido tentando não se importar com o olhar de raiva de Jeremy.
–Bom, ela teve uma overdose por ingerir muita droga e seu corpo não estava acostumado com isso. Mas ela está bem, demos morfina e sonífero para ela e o efeito das drogas já vai ter acabado quando ela acordar. – Justin respirou aliviado e o médico olhou para a folha em suas mãos. – Mas ela terá que ir para uma clinica.
–O que?
–A quantidade de drogas no corpo dela é muito grande para sua idade, ela já é uma.. Viciada se posso dizer assim, provavelmente quando acordar ira querer se drogar novamente, seu corpo pede por isso e sua mente não consegue negar ela pode ficar fora de si, caso não ache o que precisa.
Justin sentiu seu olho arder devido as lágrimas que queriam sair, e virou o rosto, passando as mãos pelo mesmo tentando as segurar enquanto parecia não acreditar que aquilo era verdade. Ele estava fracassando na sua missão de pai.
Ele havia fracassado com o pedido que havia feito para Aalyah e consigo mesmo.
–O que podemos fazer, doutor? – Jeremy perguntou vendo que o filho não teria condições para isso.
–Pois bem, eu aconselho que vocês a levem para clinica por no máximo seis meses.
–Seis meses? – Justin negou e passou a mão pelo cabelo, o puxando. – Eu não vou ficar seis meses longe da minha filha!
–Mas… Eu também posso deixar algumas enfermeiras cuidando dela em sua casa, mas o tratamento não será o mesmo e ela pode continuar se drogando.
–Aonde fica a clinica? – Jeremy falou e Justin entendeu que aquilo queria dizer que ela a levaria pra lá.
Não poderia fazer nada para mudar a ideia de Jeremy e também não tinha condições para falar algo já que sentia um nó em sua garganta. Ele estava se sentindo um gay por estar sentindo isso, mas Aalyah era tudo para ele.
–Posso ver ela? – Perguntou depois de perceber o silencio na sala.
O doutor assentiu e o levou até o quarto onde ela estava. Assim que Justin abriu a porta, sentiu todo seu mundo desmoronar ao ver Aalyah deitada naquela cama, pálida e com vários fios conectados ao seu corpo e respirando com ajuda de um aparelho. Seus lábios estavam levemente roxos, e pareciam tremer. Jamais imaginou a ver naquele estado, tão indefessa e frágil.
Se aproximou da cama, e agora já nem ligava em deixar as lágrimas rolarem por seu rosto.
–Me desculpa, pequena. – Murmurou segurando em sua mão. – Me desculpa! – Soluçou alto e sentou na poltrona ao lado da cama, colocando o rosto entre as mãos. – O que foi que eu fiz?
Aalyah acabou ficando mais dois dias no hospital, tendo que tomar vários soníferos por conta da agressividade pela falta da droga em seu corpo. Jeremy acabou obrigando Justin a passar todas as noites ao seu lado e deixar todos o compromissos de lado, mas ele não se importava com isso agora, só queria ver sua filha voltar a correr pela casa e ouvir sua voz pedindo por bonecas e brinquedos novos.
Quando saíram do hospital, Aalyah foi andando ao lado de Justin, que usava um óculos escuro para tentar esconder os olhos inchados e vermelhos, e foram de mãos dadas até o carro sendo seguido apenas pelos seguranças.
–Papai, aonde a gente vai? – Perguntou assim que o carro começou a se movimentar.
–Você já ira saber, anjo. – Respondeu com a voz falha e mordeu o lábio inferior tentando evitar as lágrimas.
–Eu quero meu Bubba! – Pediu e seu pai sorriu fraco.
Bubba era seu cachorro de pelúcia. Justin teve que comprar para a filha depois do acidente que teve com o carro, pois ela não parava de pedir um cachorro e por mais que ele fosse verde e azul, ela o tratava como se fosse de verdade.
–Ele tá em casa agora bebê, depois eu pego ele ok?
Aalyah assentiu e começou a cantarolar uma musica baixinho, tentando evitar o silencio no carro. A chuva fraca ajudava com a melodia da musica cantada, e Justin se sentia relaxado ouvindo a doce voz da sua filha.
A medida que se aproximava da clinica, sentia seu coração apertar dentro do seu peito e assim que estacionou o carro, sentiu todo seu mundo parar ao olhar pelo retrovisor e encontrar Aalyah confusa no banco de trás.
–Papai, porque parou aqui? – Olhou pra fora e ficou assustada por ver varias pessoas parecendo gritar. – Não quero ficar aqui… – Sua voz começava sair chorosa e Justin já sentia seus olhos enchendo de lágrimas novamente.
Desceu do carro um pouco rápido devido a chuva fraca que caia, e ajudou Aalyah a fazer o mesmo. Uma mulher os esperava próximo a porta do local com um guarda-chuva em mãos, e tinha um sorriso no rosto no qual deixou Justin com mais raiva ainda e a pequena mais assustada.
–Papai…
–Calma bebê! – A interrompeu e apertou sua pequena mão de leve. Consegui sentir o medo dela ficar cada vez maior conforme se aproximavam daquela mulher, e isso estava o deixando um pouco tenso.
Assim que se aproximaram da mulher, Justin não se importou em a cumprimentar ou dar atenção as palavras ditas por ela, talvez ela estivesse apenas com medo, já que ele era um criminoso, e queria apenas tentar ser amigável. Mas não havia dado certo.
Justin respirou fundo e se abaixou, ficando na altura da filha. Agora seria a pior parte: dizer que ela teria que ficar ali.
–O papai vai ter que sair.
–Eu vou junto! – Respondeu rápido e Justin negou.
–Não pequena, você tem que ficar aqui! Você está doente, eles vão cuidar de você!
–Não! Não quero papai! – Começou a chorar e passou os braços em volta do pescoço de seu pai, o abraçando forte. – Eu num to doente!
–Ally, você tem que ficar aqui! – Falava calmo, mas a pequena já soluçava alto devido ao choro. – Não chora, por favor… – Falou com a voz um pouco falha.
Afastou a filha de seu corpo e secou as lagrimas que rolavam em seu rosto delicado. Como sentiria falta dela…
–O papai volta pra ter ver amanhã, ok? – Aalyah negou rapidamente e a mulher, que estava de pé e mantinha o sorriso no rosto, a segurou junto ao seu colo, a impedindo de sair dali.
Justin mordeu o lábio inferior e murmurou um “me desculpa“ antes de se levantar e começar a andar em direção ao carro, ouvindo o choro e os gritos da filha ficarem cada vez mais alto, fazendo seu coração acelerar. Sua vontade era de volta lá, a pegar no colo e dizer que tudo iria ficar bem mas… Não era bem assim.
–PAPAI, NUM ME DEIXA AQUI!– Respirou fundo e entrou no carro, olhando pela janela ao seu lado.
Aalyah tentava se soltar dos braços daquela mulher, mas logo vieram dois enfermeiros e a pegaram no colo a deixando mais assustada ainda.
–PAPAI, ME AJUDA! EU NUM QUERO FICAR AQUI, ME SOLTA!
Deixou suas lágrimas caírem seguido de um soluço alto ao ver Aalyah assustada daquele jeito, precisava apenas de um abraço para ter a certeza de que sua filha iria ficar bem.
Soluçou alto novamente e deixou a cabeça cair sobre o volante.
–Me desculpa pequena.. – Murmurou entre os soluços, e negou. – M-me desculpa!
Assim que não conseguiu mais ouvir os gritos de Aalyah, ligou o carro e dirigiu a caminho da casa de sua mãe. Precisava de carinho e de palavras que o confortassem, e ela não o negaria isso agora.
[...]
–SAI DAQUI ANTES QUE EU META UM TIRO NA SUA CARA, SEU IMPRESTAVEL! – Justin gritou para um dos seguranças que o seguia.
–Justin..
–Que foi porra? – Falou rude e só então percebeu que era Ryan.
–Acho melhor… Você ir buscar a Aalyah. – Falou coçando a nuca, um pouco nervoso.
–O que fizeram com a minha filha? – Justin agora estava preocupado, quer dizer, fazia apenas dois dias que havia deixado Aalyah na clinica. – Fala Ryan!
–Acho melhor você ir lá cara…
Justin grunhiu com raiva e andou rápido em direção ao carro enquanto verificava se a arma que carregava na cintura estava carregada. Iria descontar sua raiva em qualquer inútil que aparecesse na sua frente e Ryan percebeu isso, já que foi com ele até a clinica.
Justin acelerava o carro, sem se importar com sinais os com os carros em sua frente apenas tentava manter o foco na pista e apertava o volante com força. Assim que chegou perto da clinica, parou o carro de qualquer jeito ao lado de outros dois, e saiu do mesmo enquanto destravava a arma e andava rapidamente em direção a entrada, ao lado de Ryan.
–Cadê minha filha? – Perguntou rápido para um cara que estava atrás de um balcão. -CADÊ MINHA FILHA, PORRA!?
–S-senhor, calma.. – Justin grunhiu e acertou um tiro certeiro na cabeça do cara.
Ryan apenas ficava um pouco afastado, sabia que se tentasse o impedir de algo seria pior, então apenas observava tudo para ver se alguém iria tentar algo contra.
–CADÊ A MINHA FILHA? – Gritou para uma enfermeira e segurou em seu cabelo, a sentido tremer. - FALA CARALHO!
–N-no quar-quarto 35! – Gaguejou com medo.
Justin acertou com a arma em sua cabeça, causando um corte na testa da mulher, e a jogou no chão começando a praticamente correr por todos aqueles corredores brancos e silenciosos, a procura do quarto falado pela mulher.
Assim que encontrou o quarto, abriu a porta rapidamente e sentiu a raiva o invadir por completo. Um enfermeiro tentava estuprar Aalyah, enquanto tampava sua boca com uma das mãos.
–FILHO DA PUTA, SAI DE PERTO DA MINHA FILHA! – Correu em direção ao cara e o empurrou para longe da pequena, depois cuidaria dela.
Acertou um tiro na perna dele, ouvindo seu grito ecoar pelo local e começou a encher seu rosto de soco. Aquilo não seria suficiente para acabar com toda sua raiva, ver o sangue escorrendo pelo seu rosto não era o suficiente.
–Justin! – Ouviu a voz de Ryan na porta, e se afastou do cara enquanto limpava a boca com uma das mãos.
Olhou novamente para a cama onde estava a Aalyah, e foi como se tudo tivesse parado e só existissem os dois ali. A pequena estava chorando baixo, assustada com tudo aquilo, e fechava os olhos com força.
Justin largou a arma no chão e correu em sua direção, a puxando contra seu corpo e a abraçando forte.
–Papai.. – Soluçou alto seguidas vezes e ele apenas negou pedindo para ficar quieta.
–Ryan, leva esse merda pro galpão. – Falou antes de respirar fundo e se afastar de sua filha, observando seu corpo.
Havia algumas marcas em seus braços, e a marca de uma mão em seu pescoço enquanto o resto de seu corpo parecia conter alguns arranhões e chupões. Poderia gostar de torturar as pessoas mas aquilo não era humano!
Negou vendo Aalyah começar a tremer de frio e tirou a camiseta que usava, colocando com cuidado em sua filha. Claro que havia ficado enorme, mas não suportava ver seu corpo frágil todo machucado daquele jeito.
–Vem, vou te levar pra casa ok? – Abriu os braços e Aalyah ficou em pé na cama, enquanto passava os braços em volta de seu pescoço, enterrando sua cabeça ali. – Estou aqui anjo, não vou deixar mais ninguém te machucar!
–E-eu to com me-medo! – Justin mordeu o lábio inferior e a apertou contra seu corpo.
–Não precisa ter medo, não vou deixar mais ninguém machucar você..
Respirou fundo e saiu daquele lugar, colocou Aalyah no banco ao seu lado e entrou no carro. Durante todo o caminho foi segurando sua mão, fazendo um leve carinho na mesma enquanto Aalyah parava de chorar aos poucos.
–A-aonde estamos i-indo? – Aalyah ainda soluçava mas as lágrimas já paravam de cair, deixando Justin um pouco mais aliviado.
–Pra casa bebê, não vou te deixar longe de mim agora! – Sorriu fraco tentando passar confiança para a filha.
–Com o Bubba? – Justin riu abafado e assentiu.
–Sim, com o Bubba. Vamos dormir nos três juntos hoje. – Aalyah sorriu largo e seu pai relaxou no banco ao ver aquele sorriso novamente.
Sua vida poderia ser uma completa bagunça, sem tempo para se divertir com sua filha ou sair, mas estando ao seu lado… Se sentia completo, sentia sua criança interior aparecer novamente. Apenas ela conseguia isso, e ele não reclamava, gostava de passar o tempo com sua filha e o que havia presenciado hoje, só o fez perceber que faria de tudo para a proteger, não importava o que acontecesse.
Justin P.O.V
Acordei apenas quando senti Aalyah se mexendo na cama, inquieta. Olhei para ela, que estava sentada na cama e coçando os braços e pernas seguidas vezes. Esse era um dos efeitos pela falta da droga em seu corpo, e eu não poderia fazer nada para isso parar.
–Ei, calma.. – Cocei meu olho e sentei ao seu lado. – Isso já passa!
Aalyah negou rapidamente e passou as mãos pelo cabelo, irritada. Segurei suas mãos e a fiz olhar em meu olhos, sabia que ela devia estar estranho o modo como eu estava agindo mas eu queria a ajudar e evitar o pior.
–Para de pensar nisso.
–Mas eu.. – Neguei e a interrompi.
–Você não precisa disso, pense em como era sua vida a dois dias atrás. – Aalyah respirou fundo e abaixou a cabeça.
Soltei suas mãos e segurei em seu queixo, levantando sua cabeça e sorri de lado.
–Eu sei que eu só estrago sua vida mas nem sempre foi assim não é? – Aalyah sorriu fraco.
Fui aproximando meu rosto do seu, sem tirar minha mão de seu queixo e sabia se caso ela recuasse, eu teria que lutar um pouco mais pra isso voltar a acontecer. Mas, para minha surpresa, Aalyah fechou os olhos assim que sentiu minha respiração bater em seu rosto e não se afastou quando meus lábios tocaram os seus. Sabia que não poderia avançar e começar um beijo feroz, isso dependeria dela.
Passei minha língua entre seus lábios e Aalyah cedeu a passagem, um pouco receosa, mas logo passou os braços em volta do meu pescoço e eu levei minhas mãos até sua cintura, a puxando para mais perto. Como eu sentia falta dos seus lábios, dos seus toques…
Nos afastamos apenas quando o ar nos fez falta mas deixamos nossas testas coladas e ficamos apenas olhando um no olho do outro, ouvindo nossas respirações normalizarem.
–Fui muito rápido? – Sussurrei e ela negou.
–Só… Não sei se com isso nos voltamos. – Sussurrou também.
–Depende apenas de você. – Continuei com o mesmo tom de voz, torcendo para ela dizer que voltava comigo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário